Monday, June 03, 2013

Consciência e Meio Ambiente




Questões ambientais e sociais deixaram de ser marginais ao negócio e passaram a ser essenciais, estratégicas. O conceito de sustentabilidade transcendeu a questão ambiental alcançando a social e a educacional. Responsabilidade na utilização dos recursos naturais, no consumo e trato com a sociedade, faz parte da administração moderna.



A preocupação com o meio ambiente e o ser humano é conseqüência da estranha modernidade que se observa, com o afastamento entre as pessoas e os povos provocado pela ignorância e preconceitos de toda a ordem. Ela poderá se transformar num fator de união de esforços para a melhoria das relações com a Natureza e entre as pessoas.



Desenvolvimento sustentável, além de responsabilidade social, crescimento inteligente e cuidado com o meio ambiente, deveria significar desenvolvimento humano, respeito às diferenças e fraternidade.



Nenhum país pode ser considerado desenvolvido ao arvorar-se à condição de manipulador de idéias e pensamentos para subjugar os demais. O mesmo acontece com as pessoas; a imposição é sinônima de impostura e presunção. Inteligência pressupõe exposição, ao invés de imposição.



A crise ecológica que presenciamos é conseqüência de uma grave crise humana e social. O ser humano desentendeu-se consigo , com os semelhantes e a Terra. As guerras e os graves problemas ambientais são as conseqüências desses desentendimentos.



A globalização é uma quimera. Os homens estão divididos social, racial, religiosa e geograficamente. No pequeno planeta criaram-se mundos distantes onde explorados e exploradores convivem numa aparente harmonia.



No dizer de Polibus, não existe testemunha tão terrível, nem acusador tão implacável como a consciência que mora no coração de cada homem. Diríamos que essa consciência, que pode ser conhecida e desenvolvida, a parte de Deus que habita cada coração, é para a qual cada homem haverá de prestar contas um dia, pelo que fez e deixou de fazer; a única, verdadeira e incontestável juíza que todos carregam consigo desde o instante que nascem e que pode ser ampliada no processo da vida através da evolução que implica a aquisição de conhecimentos. A questão do momento é sua ampliação, que muito tem a ver com a sede por eternidade e a fonte da eterna juventude que os antigos pressentiam e que nos permitirá projetar um futuro e construir um passado que poderá se converter num infinito presente que chamaríamos eternidade.



Quando boa parte da humanidade despertar do sono, da indiferença e da inconsciência, e aderir ao silencioso e crescente movimento em defesa do meio ambiente e do ser humano, a revolução ecológica – espiritual se fará sentir em muitas partes e será corrigido o rumo equivocado em que se lançou a humanidade pelos obscuros caminhos do materialismo e da ignorância. A nova cultura será o produto de uma grande revolução a ser travada no íntimo das pessoas. Mais do que informativa, ela será formativa, proporcionando a ampliação da consciência e o cultivo de pensamentos e sentimentos que unam as pessoas ao invés de distanciá-las, como têm feito a política, as fronteiras, as religiões e, sobretudo, as ambições desenfreadas que deverão ser substituídas pelo ideal de estudo e fraternidade. Além de cuidar do meio ambiente que o cerca, o homem aprenderá a cuidar do ambiente mental de onde provêm os pensamentos e as idéias que podem elevá-lo ou mergulhá-lo na escuridão.



O homem tem se afastado de si mesmo, dos seus semelhantes e de Deus por insistir em manter uma fé no que desconhece. Somente através do conhecimento poderá reencontrar-se e descobrir o Deus oculto em seu coração e nos de seus semelhantes.



Não bastam as leis se não há consciência e entendimento para que elas se cumpram, e homens de iniciativa, vigilantes, que colaborem para que o planeta e seus habitantes se recuperem.







Nagib Anderáos Neto

neto.nagib@gmail.com











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Monday, March 25, 2013

Ser ou Não Ser




O drama do príncipe da Dinamarca, mais que o conflito familiar e a traição abjeta de um tio usurpador, adquire o contorno angustioso da inquietação humana diante de sua origem e destino. O espectro do pai assassinado, a ingênua mãe amparada pelo tio assassino e a loucura fingida de Hamlet nada mais são do que a moldura de um quadro mais complexo pintado com as sombrias tintas das dúvidas existenciais de todo ser humano.



Consta que Shakespeare teria extraído o mito de Hamlet de uma antiga lenda escandinava contada por Saxus Grammaticus, um dinamarquês do século XII. A peça foi registrada em 1602 e impressa em 1603. O rodar dos séculos, no entanto, não tornou o drama anacrônico; pelo contrário, é atual por conter questões não resolvidas no decorrer deste enorme tempo.



Ser ou não ser? Morrer, ou simplesmente dormir? Cessariam assim os pesares do coração? Que sonhos poderiam sobrevir após a morte? Por que deveria uma vida calamitosa prolongar-se por um tempo tão grande? Por que suportar os reveses da vida sendo tão fácil concluí-la com as próprias mãos? Seria a consciência que tornaria os homens covardes diante da possibilidade de interromper as contrariedades que se sucedem na experiência da vida?



A consciência humana não poderia tornar o ser humano covarde afastando-o das respostas; não seria então com ciência, com verdade, com conhecimento, seria uma outra coisa qualquer. O dilema, no entanto, persiste: ser ou não ser?



A prerrogativa de ser existe; somente o próprio indivíduo poderá realizá-la.



E como se chega a ser o que não se é? Como se chega a saber o que não se sabe? O que se quer saber? O que se quer chegar a ser?



Uns querem ser ricos, outros admirados. Uns querem ser doutores, intelectuais, reconhecidos. E todos começam não sendo nada. E quando chegam a realizar os sonhos mencionados – e são muito poucos os que o conseguem – percebem que aquilo era pouco, não era o que imaginavam.



Tudo fica parecendo um brinquedo velho, sem graça, imprestável; e volta-se ao ponto de partida. As reflexões básicas de Hamlet adquirem uma nova dimensão: o que eu quero ser? O que eu quero saber? O que preencheria o vazio que habita a minha alma?



Nesse momento, a reflexão sensata leva o indivíduo a voltar-se para si mesmo e encarar a sua realidade; não aquilo que se esforça por aparentar ser para os demais, mas aquilo que realmente é: um ser eventualmente ilustrado, mas pouco provido do conhecimento essencial, pois pouco conhece sobre si mesmo, sobre as causas de seus desacertos, de suas tristezas, de seus desentendimentos consigo e com os semelhantes. Descobre que lhe falta o conhecimento sobre sua pessoa, o conhecimento de si mesmo; que para ser o que não é deve conhecer-se para poder vislumbrar o que pretende ser. Desenha-se em sua mente um processo de superação cujo paradigma é ele mesmo e não os outros; que deve buscar ser melhor que ele próprio ao invés de ser superior aos demais; saber com que recursos conta e o que deve ser aperfeiçoado em sua estrutura psicológica e espiritual.



Ser ou não ser? Saber ou não saber? É possível que a reflexão profunda e sincera contenha em sua formulação a resposta.



Nagib Anderáos Neto

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Monday, March 26, 2012

Uma Consciência Contra a Violência

Embora se venha atribuindo a crescente violência aos problemas sociais, à incompetência dos que têm a seu cargo a manutenção da segurança pública, à morosidade da justiça e aos problemas econômicos, é preciso salientar que as causas reais não têm sido analisadas, identificadas e combatidas eficazmente.

Onde se gera a violência? Qual a sua raiz? Estaria apenas presente nos atos bárbaros da delinqüência e nas agressões incontroladas que nações desferem sobre outras? Não estaria presente em todo o lugar, manifestando-se nas formas mais sutis? Não são os pais que, muitas vezes, repreendem seus filhos com uma manifesta violência impressa nas palavras, gestos e agressões? Não são os meios de comunicação que a transmitem para as crianças que absorvem os pensamentos agressivos através de desenhos, filmes e telenovelas que são um péssimo exemplo para aquelas mentes indefesas, incapazes de desligar a caixa de surpresas desagradáveis?

Não estaria presente nos campos de batalha que se transformaram as quadras esportivas onde os times e torcedores digladiam-se raivosamente em nome de uma bandeira que pode não ter significado algum? Ou nas esquinas, nos semáforos, no trânsito alucinado das grandes cidades?

A violência está em todas as partes porque está em todas as mentes; e ali seria necessário combatê-la.

Educar uma criança para a vida, mais do que prepará-la para o vestibular, seria prepará-la mentalmente; educar os pensamentos e preservar essa mente de agressões externas.

A verdadeira educação é a mental, a que permite aos homens conhecer esse ambiente e utilizá-lo na criação de idéias e pensamentos que tenham real utilidade para si e os semelhantes, e na técnica de combater os violentos e dissolventes que distanciam o ser humano de seus semelhantes e de Deus.

No clima de grande violência que presenciamos, as autoridades judiciais e policiais devem ser chamadas para as necessárias medidas emergenciais; no entanto, há que convocar os educadores, para que as gerações futuras possam ser preparadas e orientadas no sentido de uma postura mental mais humana e pacífica.

Nagib Anderáos Neto
www.logosofia-nagib@blogspot.com

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Friday, March 02, 2012

O Pirarucu e a Multiplicação dos Peixes

Noutro dia, o biólogo e consultor Ricardo Tsukamoto falava-nos sobre o milagre do pirarucu, aquele peixe enorme que vive nos rios brasileiros, que quase não se move e pode ser criado em pequenas áreas e resolver o problema da fome gorda neste país de tantos contrastes. Lembrei-me de um médico paraense que conheci em noventa e oito em Londres que me disse que em sua terra ninguém morria de fome, tamanha a quantidade de peixes naquele Brasil longínquo, um verdadeiro milagre da realidade.
Tais lembranças levaram-me a uma leitura muito antiga, um texto escrito há quase oitenta anos e que dava uma interpretação singular à lenda da multiplicação dos pães e dos peixes que saciaram a fome de cinco mil pessoas.
O texto dizia que a passagem nunca fora entendida nem tampouco explicada com clareza. Não seria a fome física o ponto central da questão, senão a espiritual. E que os assistentes mais próximos da preleção insinuaram ao orador que as pessoas estavam com fome e o sermão deveria ser interrompido, ao que o orador teria respondido que o pão do trigo alimentava uma fome passageira, mas que o pão espiritual de seus ensinamentos representava um auxilio continuado, não para uma fome circunstancial, mas que pudesse saciar uma fome secular de espíritos ávidos por conhecimentos.
Tais reflexões nos levaram a considerar que pela abundância de peixes e escassez de conhecimentos a fome física não deveria ser mais que uma conseqüência da fome espiritual. E que deveríamos lutar pela educação de nosso povo, e não somente a convencional, a que se aprende nos bancos escolares, senão a outra, a espiritual, a humana, que deve nos levar a conviver pacificamente com nossos irmãos, os outros seres humanos, e a nos conhecer, e a nos entender como entidades que podem ser muito inteligentes se nos desprendermos de preconceitos seculares que nos têm feito ser os agentes de guerras e desentendimentos, criadores de partidos que partem as relações humanas numa fingida convivência que tudo destrói.
O divisionismo só existe na ignorância que é a ausência de inteligência, de capacidade de conviver harmonicamente com os semelhantes.
O famoso oráculo de Delfos, magnífica construção assentada às encostas do monte Parnaso, ostentava em sua fachada a enigmática inscrição celebrizada por Sócrates cujo significado permanece obscuro até hoje: conhece a ti mesmo. Para lá se dirigia o viajante sedento de conhecimento levando suas inquietações e questionamentos ao deus Apolo, o deus do sol e da luz, da música e da purificação, da tranqüilidade, da beleza, o que conheceria a medida das coisas.
Dionísio (Baco para os romanos), o deus do vinho, da festa e do teatro, cujo culto era o das necessidades do corpo humano, conformava com Apolo o ideal grego de uma vida equilibrada entre as necessidades materiais e espirituais.
O templo de Delfos era o templo de Apolo cujas colunas lá permanecem até hoje desafiando o tempo. Conta-se que ali o deus falava ao viajante através da Pitonisa, sacerdotisa que intermediava o contato.
Esta crença grega de que os deuses falariam aos homens através dos sacerdotes influenciou as diversas religiões que sucederam aquele período histórico.
Deus pode falar a um ser humano através de outro, de qualquer outro. Para uma criança, os pais se confundem com Deus pela proteção, amor e conhecimento que lhe transmitem. Assim também o mestre, o instrutor, o professor, que junto com o ensinamento transmite a amizade. No entanto, Deus não precisa de nenhum intermediário para que se o sinta nas profundezas do coração, embora esteja ali presente nas palavras e nas atitudes de quem faça um bem para os seus semelhantes.
O Templo do Conhecimento, o oráculo onde cada ser humano pudesse consultar a Verdade seria a sua própria consciência; poderia consultar o Deus único cuja chama arde no interior de cada indivíduo.
No entanto, como a consciência está afastada das preocupações correntes do homem moderno, tão encantado pelas ficções de um mundo luminoso, colorido e sedutor, aquele oráculo não existe.
A realização do sonho do encontro com o Templo do Conhecimento posterga-se até o dia em que o homem desperte do sono que o tem prostrado na indiferença, no materialismo e no desconhecimento de sua própria pessoa.

Nagib Anderáos Neto
www.twitter.com/anderaosnagib

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Monday, December 12, 2011

A Cultura na Formação de Uma Nova Civilização

Os seres humanos passam por aqui, vivem um tempo, deixam um dia esta Terra, mas fica a cultura, o cultivo de pensamentos e idéias urdidos em palavras e obras. Todo indivíduo pensante contribui para o aquilatamento da cultura que é um legado para as gerações futuras.
Da mesma forma que um grão de areia encerra em si todo um Universo, cada ser humano pode concentrar toda uma humanidade e ser uma ínfima representação da Sabedoria Universal, do próprio Deus que nela Se confunde.
A grandeza de uma cultura pode ser o fundamento de uma Nação e amplia-se com o aumento da capacidade de estudo. A instrução continuada deverá ser o pilar principal de qualquer política. Tudo o mais será conseqüência dela, pois a maior vocação do espírito humano é a criação, a realização para o que o estudo contribui diretamente. A Pátria e o espírito nacionalidade provêm dessa realização. O estudo individual e coletivo unem os seres humanos na realização e compreensão das altas finalidades do ser humano.
Existe uma cultura comum e informativa cujos alcances estão limitados à sua superficialidade. Há também uma mediana que se eleva por sobre as capas da ignorância e alcança os bancos universitários, mas quase sempre circunstanciada a aspectos materiais da vida, sua subsistência, ou mesmo alguns prazeres intelectuais que roçam uma pseudo-superioridade que se desmorona ao mais leve confronto entre as personalidades desenhadas com aparente refinamento, mas com uma grande incapacidade por reconhecer as suas limitações.
Existem os lampejos de uma nova cultura, a superior, onde o espírito humano se libera das amarras da mediocridade, do egoísmo e da superstição que tanto o limitam e aprisionam.
As linhas divisórias entre as diversas culturas estão na qualidade, conteúdo e hierarquia dos conhecimentos que as concretizam, indo da experiência pré-histórica da sobrevivência, na qual as armas serviam para matar as feras que ameaçavam o homem e, passando por nossa época, quando as mesmas armas servem para se exterminarem, pois as feras que os ameaçavam no passado acabaram surgindo em suas mentes como pensamentos monstruosos que querem destruir a vida no planeta, até chegar a um futuro superado, esperança de toda a espécie, uma nova civilização na qual se reconhecerá em tudo quanto existe a expressão vívida da Sabedoria Universal merecedora de toda a reverência e respeito.
A nova cultura será o produto de uma grande revolução a ser travada no íntimo dos seres humanos, no âmbito de seus pensamentos e sentimentos, através da eliminação do que lhes tem dificultado a convivência pacífica, pois inteligência pressupõe harmonia interior e entre as pessoas. Mais do que informativa, ela será formativa, na qual os espíritos ávidos por conhecimentos haverão de ampliar a consciência e cultivar pensamentos e sentimentos de natureza superior através do estudo e esforço próprios.
O ser humano do futuro deixará de lado as ambições que deságuam em insanos sonhos de poder e riqueza substituindo-os pelo amor ao estudo e ao saber. Além do meio ambiente que o cerca, aprenderá a cuidar do próprio ambiente mental de onde provêm os pensamentos e as idéias que podem elevá-lo ou mergulhá-lo na escuridão.

Nagib Anderaos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Friday, November 12, 2010

Deus e a Consciência

Melhor que dar o peixe ou ensinar a pescar é ensinar a pensar. Mas antes de fazê-lo, será necessário aprendê-lo. Pensar é um ato de liberdade, um aprendizado espiritual que exige saber julgar-se, querer melhorar, sentir a necessidade de evoluir, realizar. E pensar no quê? Em Deus, em si mesmo e nos semelhantes, ensina González Pecotche, o pensador que dedicou sua vida ao culto da nobre função que as crenças e os preconceitos impedem realizar.
Deus se confunde com o homem, com todos os homens, sem nenhum privilégio ou intermediário. Está presente no templo interior que existe no coração de todos e que se chama consciência, a que deveria reger todos os atos humanos, o Deus interior, a bela adormecida que ali jaz prostrada sob as sombras do ceticismo, da ignorância, das crenças e dos preconceitos.
O homem nasceu para pensar e não apenas para trabalhar, se divertir e se conformar com a entristecida vida rotineira dos que imaginam que a felicidade se resume na posse de coisas que perdem o seu valor quando conquistadas.
O principio do processo de liberação espiritual pelo pensar resume-se no reconhecimento das próprias limitações e na identificação dos preconceitos e crenças que aprisionam a inteligência nas masmorras da ignorância. E a maior ignorância é ignorar-se, não se ver, desconhecer-se. Mesmo o mais letrado, o mais culto, pode ser um ausente de si, de sua consciência.
Mais do que o axiomático ”conhece-te a ti mesmo” do ilustre personagem mencionado por Platão em seus diálogos, sobressai-se o “tudo o que sei é que nada sei”, principio de todo o processo de liberação pelo pensar.
Se não me conheço, desconheço minha capacidade de criar. Se não sou um pequeno criador, não posso sentir e compreender o grande Criador.
Todo o ser humano pode ser um criador, mesmo não sendo artista, e compreender melhor o Grande Criador, o Deus único, tão distante do materializado homem moderno. E a maior obra de arte que um ser humano poderia realizar seria a de criar a sua pessoa tornando-se um indivíduo melhor, em constante aperfeiçoamento; essa sim seria a obra-prima, a maior obra de arte, a única que poderia merecer tal classificação.
Deus não está nas alturas, nos livros, nos templos ou nas desgraças; nem nas pestes ou doenças incuráveis. Ele não traz o tom pesado e vingativo; não pune, não castiga, não deprime; ensina, reconforta e traz esperança. Está num sorriso infantil, na emoção de uma descoberta, num instante de reflexão, na generosidade de quem ensina. Maior que tudo quanto existe, que o mesmo Universo, tem em cada coração um pequeno templo despojado do ouropel e da pompa, do ar pesado da intolerância e da incompreensão. Para penetrar em seu interior, muitas vezes inacessível à pretensão e à ignorância, é exigido que se desvencilhe da pesada carga de preconceitos, da incompreensão e dos defeitos que vêm dominando a mente humana, impedindo-lhe de contemplar a Verdade pela névoa da ignorância que tem cegado o seu entendimento.
Um homem afastado de si e dos semelhantes é desatento, distraído de Deus, inconsciente.

Nagib Anderáos Neto.

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Sunday, January 24, 2010

O Homem Não é Um Animal

Pensar por própria conta custa certo esforço, como todo ato criativo, e exige preparo, treino, exercício diário. É diferente de sonhar, lembrar, imaginar. Ao criar, a imaginação, o sonho e a recordação poderão ajudar. Seja uma pintura, um filho, um pensamento, o criador se confunde com sua obra, vive nela.

Pensar é respirar. Sem ar o corpo expira. Sem pensar, a alma dorme. Quem não pensa vive repetindo coisas pensadas por outros, submete-se, repete-se.

A rotina é inimiga da criação, como a preguiça, a indiferença e o conformismo. Os animais se repetem, o homem pode se diferenciar, se transformar, mudar no breve hiato entre o nascimento e o desenlace fatal. Se ele fosse um animal – com o perdão de Darwin – estaria sujeito à lenta lei evolutiva que rege todos os processos da Natureza.O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Devemos nos contrapor às ondas anacrônicas do criacionismo, mas daí a nos nivelar aos animais é um pouco diferente. Como tem inteligência e pode ser consciente, seu corpo está sujeito àquela lei em sua conformação biológica, mas sua inteligência e sua sensibilidade, sua alma enfim, podem empreender a sucessão de mudanças evolutivas que os conhecimentos permitem.

A rotina leva à depressão. A monotonia da repetição traz tristeza. Alegria tem a ver com renovação.A passividade e a ignorância podem nos levar a nos confundirmos com os animais. A atividade e o conhecimento nos elevam e nos liberam da mediocridade que nos querem impor os mercadores da verdade.

As perguntas que todos devem se formular são as seguintes: Por que estou neste mundo? O que devo fazer dele? O meu nascimento e minha vida são obra do acaso ou têm uma finalidade? O meu existir é contingente?

Talvez tenhamos nascido para viver, criar e sonhar. Talvez para saber a razão desta existência. A passividade e a ignorância podem nos levar a confundirmo-nos com os animais. A atividade e o conhecimento nos elevam e nos liberam da mediocridade que nos querem impor os impostores.

O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa afirmar que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Se não somos filhos privilegiados desta criação, por que somente o homem é capaz de pensar, criar e se modificar?

O homem do futuro, biológica e mentalmente falando, será herdeiro do homem do presente. Os evolucionistas céticos parecem não perceber essa ligação hereditária, pois ao homem biológico sucedem os pensamentos que ele for capaz de criar, dar vida, e que a ele sobreviverão, e poderão inspirar outros homens a que pensem também, que criem pensamentos que se imortalizem em obras que beneficiem a toda a espécie.

A vida do homem na Terra é um átimo no infinito processo universal. Espelhar-se nele é fator inteligente para a pequena espécie que, prematuramente, muito grande se julga.

Os céticos dizem que todo esse processo evolutivo é obra do acaso. Seria o caso de lhes perguntar se o que entendem por acaso não seria o Deus mesmo.Nada a ver com os deuses imaginários criados por mentes pré-históricas que encabeçaram empresas lucrativas que vêm explorando a ingenuidade dos incautos, senão aquele cuja face visível é o Universo, e a invisível os processos que o homem vai descobrindo através de sua incipiente ciência e sua consciência em formação.


Nagib Anderáos Neto
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Wednesday, January 16, 2008

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento sustentável implica um trabalho inteligente para satisfazer as necessidades humanas do presente sem causar prejuízo para o futuro, abrangendo aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais.
A base da sustentabilidade é o desenvolvimento humano que deve contemplar um melhor relacionamento do homem com os semelhantes e com a natureza. A preservação da qualidade ambiental e social é conseqüência da qualidade individual; um homem melhorado para uma sociedade pacífica e harmônica onde o respeito ao ser humano e à natureza seja o princípio norteador de qualquer política.
A crise ecológica que se presencia é conseqüência de uma grave crise humana. Os homens desentenderam-se. As guerras e os problemas ambientais são conseqüências destes desentendimentos.
Quando boa parte da humanidade despertar do sono da indiferença e da inconsciência e aderir ao silencioso e crescente movimento em defesa do meio ambiente e do ser humano, a revolução ecológica – espiritual se fará sentir em muitas partes e será corrigido o rumo equivocado em que se lançou pelos obscuros caminhos do materialismo e da ignorância. A nova cultura será o produto de uma grande revolução a ser travada no íntimo das pessoas; mais do que informativa, será formativa, proporcionando a ampliação da consciência e o cultivo de pensamentos e sentimentos que unam as pessoas. O homem deixará de lado as ambições desenfreadas substituindo-as pelo ideal de estudo e fraternidade. Além de cuidar do meio ambiente, aprenderá a cuidar de seu ambiente mental de onde provêm os pensamentos e as idéias que podem elevá-lo, ao invés de mergulhá-lo na escuridão.
Há uma enorme mudança cultural em andamento na forma de pensar e de agir das pessoas. O trabalho voluntário começa a ser valorizado por proporcionar o crescimento pessoal, fugir à rotina e desmontar o egoísmo atávico que esteve impregnado nas sociedades precedentes. Ao servir, o maior beneficiado é quem serve com inteligência, que é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro. Servir ainda é uma coisa rara nesta sociedade em que se busca sempre a vantagem pessoal ou se teatraliza uma generosidade e um desprendimento que não existem. E não há que se criar um dia da semana para assumir o papel de voluntário; deve ser um papel permanente. Será necessário criar o pensamento de servir aos outros, que é a melhor maneira de servir a si mesmo.
Já se entende que a educação é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável. E que ela não deve ser restrita aos bancos escolares, senão alcançar o ambiente familiar e o do trabalho. Deve ser muito mais do que informação, senão percepção, entendimento e compreensão da vida em suas relações pessoais e com a natureza.
A empresa socialmente responsável tem o dever de proporcionar o debate e a participação do trabalhador no ambiente de trabalho buscando soluções sustentáveis para o desenvolvimento pessoal e social, pois as deficiências do sistema educacional do Estado são tão grandes que seriam necessárias muitas décadas para que uma revolução educacional pudesse trazer algum resultado palpável por esta via.


Nagib Anderáos Neto
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neto.nagib@gmail.com

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Monday, November 05, 2007

Atenção e Inteligência

A cura da chamada doença da distração ou da desatenção não é tarefa simples e não depende da intervenção de médicos ou da ingestão de remédios.
A verdadeira causa dessa falha psicológica não será eliminada com o aconselhamento profissional de quem padece do mesmo mal e não sabe como combatê-lo em si mesmo. Essa é uma das contradições da pedagogia e da psicologia moderna: o instrutor ou o aconselhador pretende ajudar a outros no enfrentamento de dificuldades pessoais sem antes tê-las superado em sua vida.
A desatenção é uma propensão mental proveniente do ócio e das abstrações estéreis. A rotina e o automatismo mental tornaram o ser humano distraído e desatento.
Essa postura mental torna as pessoas ingênuas e inseguras; verdadeiros joguetes nas mãos de espertalhões. Talvez por isto, a cultura atual seja tão voltada para as distrações de todo gênero, para o ócio, a inatividade mental.
A atenção em tudo o que se faz sem o concurso da consciência individual se tornará inoperante. No entanto, a consciência anda tão inativa, escondida, deprimida. Num mundo onde grandes mentiras são tidas como verdades, a ampliação da área da consciência fica impossibilitada e a síndrome da distração alastra-se em proporções assustadoras.
Tempo é dinheiro. Ter é poder. Onde falta dinheiro, falta felicidade. Estas são algumas das inúmeras faces da Grande Mentira que comprou a alma humana para sacrificá-la como o diabo descrito por Goethe. O mecanismo da atenção deverá ser regido pela consciência e não por remédios, tratamentos ou por aconselhamento espiritual duvidoso.
O que significa ser inteligente?
A inteligência pressupõe o exercício de diversas funções mentais que podem se complementar em mútua colaboração: recordar, observar, refletir, pensar, julgar, raciocinar, imaginar, combinar. Para a Logosofia, a inteligência é a faculdade máxima e se resume no funcionamento harmônico das mencionadas para o bem e superação do indivíduo, o que, em geral, não acontece.
A cultura convencional que recebemos de nossos antepassados está voltada, quase que exclusivamente, para a utilização da memória e da imaginação. Nas escolas as crianças são massacradas com uma infinidade de informações que devem ser memorizadas em detrimento das outras funções. Essa memorização absurda será necessária para o vestibular que exigirá do jovem esse enciclopedismo inútil.
O entendimento não desenvolvido faz com que o indivíduo aceite, passiva e ingenuamente, versões absurdas sobre a realidade, fantasias de toda a índole que se opõem à verdade, acorrentando o espírito - potencialmente inteligente - no claustro de crenças absurdas. O desenvolvimento da inteligência exige o adestramento da observação, do juízo, da razão, do entendimento, do pensar. O ser humano não pode se transformar num papagaio repetidor de falas criadas por outros, nem num ser que vive a imaginar coisas que nunca realiza. A inteligência deve ser desenvolvida na realização das principais tarefas da vida: evoluir e colaborar com as outras pessoas nesse sentido.Ser inteligente implica ser humano, saber conviver com as pessoas, buscar e ir encontrando a felicidade através da vida.
A inteligência é um dom divino que todos recebemos ao nascer para este mundo e que poderá ser desenvolvida. Máquina alguma haverá de substituir essa capacidade cognoscitiva e criativa que todo o ser humano tem e que, aliada ao sentir, poderá levá-lo a condições cada vez mais humanas.
Para conhecer e se aproximar do Criador, é lógico e necessário que se conheça a parte da Criação que mais está ao nosso alcance, ou seja, nós mesmos, e que se experimente as alternativas evolutivas que nos foram concedidas através de um processo conscientemente realizado.
Ser mais inteligente significa ser mais humano; interessar-se pelo próprio futuro e o dos demais; estar atento a quanto ocorre na própria vida, no dia-a-dia, com o intuito de aperfeiçoar a conduta e facilitar a convivência com as outras pessoas.


Nagib Anderáos Neto
www.logosophy.net

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Tuesday, October 31, 2006

A Observação Consciente

É difícil julgar as outras pessoas sem antes haver aprendido a exercer o juízo sobre si mesmo.Julga-se, em geral, em função de apreciações alheias, pelo o que se ouviu dizer, e não pelo que realmente se observou. A observação consciente – conforme nos esclarece o pensador González Pecotche em inúmeros escritos e conferências – deveria servir, antes de tudo, para corrigir as nossas imperfeições; o que vemos de desagradável na conduta de uma outra pessoa deveria levar-nos a verificar se não existe em nós aquela característica negativa que compõe a nossa personalidade.Mas o ser humano não sabe olhar para si; olha o mundo como se não fizesse parte dele; vê, mas não enxerga; não entende que todo aquele cenário está aí para transformá-lo em diretor e ator do espetáculo de sua vida. Ao invés disto, gasta seu tempo olhando, admirando ou criticando o espetáculo de outras vidas, outros mundos, esquecendo-se de si, e que dentro dele existe um pequeno universo no qual poderia viver e ser feliz.

Essa falha gritante das culturas que nos precederam –com raras e honrosas exceções – engendrou nas mentes humanas a tendência ao escapismo,a viver somente fora de sua realidade interior. O ser humano está sempre a fugir de si: no trabalho, nas diversões, no estudo, nas leituras, nas platéias; não consegue conectar o que acontece à sua volta com a realidade interior. Olhar a Natureza e tomar para si o exemplo de paciência, movimento, renovação, evolução, e exercitá-lo no diário existir através de sua capacidade de pensar, criar e se modificar.

Vamo-nos transformando em atores que decoram e interpretam falas escritas por pessoas que nos antecederam, que desconhecemos, e que foram atores como nós, repetindo frases e cenas que compõem as tradições que – como disse certa vez González Pecotche – são o cemitério das idéias.

Romper com essa inércia cultural é o grande desafio da nova humanidade no despontar do terceiro milênio. Ao voltar-se para si e educar-se, o homem do futuro transformará o horroroso espetáculo de guerras, corrupção e violência no qual nos encontramos num cenário mais condizente com a espécie inteligente que um dia poderemos chegar a ser.

Ao dizer que tudo o que sabia era que nada sabia, Sócrates, a personagem de Platão, dá-nos a pauta de uma conduta inicial, caso queiramos aprender e evoluir. Será necessário arrancar a máscara da personalidade que nos leva a aparentar ser o que não somos, mas que imaginamos.Se ela não estiver aderida à epiderme psicológica, poderemos iniciar o caminho para construir a nossa individualidade.

Nagib Anderaós Neto

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