Wednesday, April 03, 2013

Logosofia - Uma Nova Cultura -





Em 1930, Carlos Bernardo González Pecotche lançou as bases de uma nova cultura – a Logosofia – que haveria de se espalhar rapidamente por todo o continente americano. A nova ciência se mostrava como um caminho a ser percorrido pelos que pretendessem transformar as suas vidas num grande campo de aperfeiçoamento moral, psicológico e espiritual.

Quem era aquele jovem que, aos vinte e nove anos, trazia os novos conhecimentos? De onde os teria extraído? Em que fonte teria bebido?

Seriam necessárias décadas de esforços, estudos e realizações, a publicação de inúmeros livros, centenas de palestras, o surgimento de escolas de Educação Infantil e o resultado da aplicação daqueles conhecimentos na vida de milhares de estudantes, para que se pudesse avaliar a originalidade da ciência que estava no haver hereditário de seu criador, que o ofereceu aos que quisessem construir um caminho para depois percorrê-lo com os seus pés, sem nenhuma muleta.

Os conhecimentos, a técnica, o método pedagógico tinham uma diretriz fundamental: nenhum estudante deveria acreditar ou aceitar passivamente aquilo que a Logosofia vinha ensinar, senão buscar a comprovação do que recebiam como instrução. “A comprovação prévia de uma verdade é lei no processo de evolução consciente”, dizia o pensador. Essa garantia não puderam dar os predicadores que pretenderam escravizar as mentes por meio de preconceitos que cegavam os entendimentos. Quando afirmava que os agentes causais da vida humana eram os pensamentos que habitavam as mentes dos homens, e que seria necessário conhecê-los, identificá-los, classificá-los e selecioná-los através de um processo que tornasse possível a ascendência da vontade sobre eles, ao invés de serem seus escravos, isso não poderia ser aceito passivamente, se não compreendido profundamente.

Um dos pilares da Logosofia – especialidade científica e metodológica que trata da reativação consciente do individuo – é sua concepção sobre o sistema mental constituído por duas mentes: uma comum, inferior, utilizada para a vida diária, e que pode ser parcialmente organizada por meio dos estudos correntes nas escolas e universidades; outra superior, que transcende e que existe em latência em todo o ser humano. É muito comum ouvir-se dizer que usamos um quase nada de nossa capacidade mental que equivale à esfera mental inferior para a nossa sobrevivência na Terra; já a esfera superior precisa ser ativada para que se transcendam os estados primitivos em que se encontre.

Os conhecimentos apresentados pela Logosofia tendem ao desenvolvimento do sistema mental como um todo, organizando a mente inferior e desenvolvendo as faculdades superiores.

Se o ser humano continua se comportando como um selvagem, apesar de incontáveis séculos de lenta evolução, é porque não aprendeu a pensar, a reconhecer o Criador em tudo quanto existe, especialmente em si mesmo e nos semelhantes que deveriam merecer o maior respeito.

Nesses tempos de violenta modernidade, o afastamento entre as pessoas e os povos é um distanciamento incompreensível provocado pela ignorância e pelos preconceitos. A degradação das relações humanas é o sintoma do grande vazio promovido pela ausência da chama superior que todo o ser humano traz, mas que jaz adormecida como a bela princesa dos contos infantis.

Para ter um domínio sobre si e conquistar a capacidade de enfrentar as dificuldades que a vida apresenta, é necessário preparar a mente, o que pouco tem ver com a instrução que se recebe nas escolas cujo objetivo se limita à capacitação profissional. Essa nova educação é mais ampla e abrange toda a vida.

O homem vive em um mundo onde imperam os pensamentos e tem a equivocada sensação de ser senhor de sua vida, dos acontecimentos e do espaço que habita; são os pensamentos que perambulam por aí que governam a vida dele. Veiculados pelos meios de comunicação, caminham de mente em mente, impressos em livros, provenientes, muitas vezes, de mentes exóticas, cujos donos de há muito se decompuseram sob lajes ancestrais que não conseguiram sepultar as ideias e os costumes que compõem o grande cemitério das chamadas tradições.

Mas o que são os pensamentos? Sendo um produto da mente, não seríamos os seus senhores? Onde eles estão? Que sutil engenho poderia fotografá-los? São invisíveis? A que mundo eles pertencem?

A existência do pensamento como agente da inteligência e promotor da felicidade ou sofrimento do homem é a prova cabal da realidade de outro mundo, desconhecido pela maioria das pessoas. Essa entidade invisível é perfeitamente palpável para as mãos do entendimento, desde que ele tenha sido convenientemente adestrado.

O caminho da evolução consciente exige que a mente seja preparada para o conhecimento e domínio dos pensamentos, e capacitada para a criação de outros novos, filhos mentais gerados e educados pela pessoa que, por intermédio deles, poderá chegar a sobreviver aos curtos anos da vida no planeta. O império dos pensamentos poderá ser substituído pelo da inteligência, através da reversão da condição humilhante em que a maioria se encontra, escravizada por pensamentos que perambulam pelo mundo.

Carlos Bernardo González Pecotche faleceu em 4 de Abril de 1963, há 50 anos, deixando uma vasta obra bibliográfica e uma Escola de Adiantamento Mental, com sedes na Argentina, Uruguai e Brasil. A Logosofia continuou a ser estudada nas diversas sedes da Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana, que conta hoje com diversas sedes na América, Europa e Oriente Médio. Seu objetivo é o aperfeiçoamento do ser humano.

Para González Pecotche, viver deveria significar muito mais do que ser um mero espectador no teatro da vida, um repetidor de frases e gestos criados por outros. E para que se pudesse chegar à compreensão clara de seu significado, seria necessário exaltar o amor a ela; não o egoísta, separatista, que distancia os homens por interesses diversos, raças, ideologias ou religiões, mas o verdadeiro, o que exala de cada criatura, e amanhecer como um motivo de vida, alegria e verdade.

“A Sabedoria de Deus está plasmada na criação, enquanto que a do homem consiste em conhecê-la e servir-se dela para superar as etapas evolutivas de seu gênero”, escreveu Pecotche. E conclui:

[...] O homem busca o conhecimento porque é o meio pelo qual chega a compreender a sua missão e a sentir a presença em sua vida deste ser imaterial que responde ao influxo da eterna Consciência Universal, e é portador, através dos tempos, da existência individual.

O conhecimento move o homem para que se eleve, para que deixe de ser o que é para ser algo melhor; e é o grande agente criador das possibilidades humanas.

Na certidão de óbito do pensador consta a profissão de escritor, autor de composições literárias ou científicas. No dizer do advogado José Antonio Antonini, estudante de Logosofia e editor, que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente González Pecotche:

“[...] aqui se sobressai uma dessas particularidades do escritor: ele é autor de composições, não somente de uma ou outra modalidade, senão de muitas, tanto literárias quanto científicas. E fazia-o valendo-se de formas conhecidas, como o romance, o diálogo, a expositiva, a poesia, o tratado, mas sempre vinculando tais formas ao gênero científico, visto ser o criador de uma ciência que denominou Logosofia, uma especialidade científica e metodológica que se ocupa da reativação consciente do indivíduo. Também foi editor, ilustrador, pintor, músico e compositor. Sua partitura sobre Recordações Egípcias, ele a executava em uma rádio Argentina. O que o distinguia da generalidade dos escritores era precisamente esta aptidão de incursionar em todos os matizes da composição literária, vinculando o leitor aos princípios metodológicos e científicos desta ciência da vida ou do invisível que se encontra em cada ser.

A presença marcante do espírito de González Pecotche não haveria de esmaecer-se com o seu desaparecimento físico, pois os seus pensamentos estavam consubstanciados no grande movimento por ele iniciado, do qual fazem parte todos os estudantes e pesquisadores, as escolas criadas, a vasta bibliografia, as centenas de conferências pronunciadas e os eloquentes resultados obtidos por meio da aplicação do novo método pedagógico que afirma que o ser humano pode ser dono de sua vida e destino, ao aprender a pensar, libertando-se das travas seculares que imobilizaram a sua inteligência e vontade, transformando-o num ser violento, irascível, perturbado e incapaz de conviver em paz com os semelhantes.

Depois de séculos de orfandade espiritual, marcados por guerras inomináveis e sofrimentos sem par, o homem deveria começar a construir um novo caminho, reconhecendo suas limitações e defeitos, conhecendo-se melhor e transformando a sua pessoa num ser verdadeiramente humano, deixando de comportar-se como um animal para compor um quarto reino, o hominal, no qual figurariam os seres inteligentes e não os que fazem descobertas para infernizar a vida da humanidade.

Dentre as grandes lições deixadas pelo humanista destaca-se a da gratidão pelo bem recebido, que nos permite mantê-lo como um talismã que haverá de substanciar os dias futuros e iluminar o caminho dos que virão trilhá-lo. Através da gratidão e da recordação, o espírito daqueles que beneficiaram a humanidade em sua breve passagem pela Terra sobreviverá e prosseguirá em seu silencioso e humanitário trabalho, invisível aos olhos de muitos, mas sólido e consistente sob a perspectiva da História.

Nagib Anderáos Neto



Extraído do livro Deus e os Detalhes



































































































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Tuesday, February 15, 2011

A Logosofia e os Pensamentos

Um dos pilares da Logosofia – especialidade científica e metodológica que trata da reativação consciente do individuo - é sua concepção sobre o sistema mental constituído por duas mentes: uma comum, inferior, utilizada para a vida rotineira, a material, e que pode ser parcialmente organizada através dos estudos correntes nas escolas e universidades; outra superior, que transcende e existe em latência em todo o ser humano. É muito comum ouvir-se dizer que usamos um quase nada de nossa capacidade mental que equivale à esfera mental inferior que o homem tem utilizado há séculos para sua sobrevivência na Terra. Já a esfera superior precisa ser ativada para que ele transcenda os estados primitivos em que se encontra, numa guerra permanente consigo e os semelhantes.

Os conhecimentos apresentados pela Logosofia tendem ao desenvolvimento de todo o sistema mental, organizando a mente inferior e desenvolvendo as faculdades superiores.

Se o ser humano continua se comportando como um selvagem, apesar de incontáveis séculos de lenta evolução, é porque não aprendeu a pensar, a reconhecer o Criador em tudo quanto existe, especialmente em seus semelhantes que deveriam merecer o maior respeito.

Nos tempos de violenta modernidade, o afastamento entre as pessoas e os povos é incompreensível, provocado pela ignorância e preconceitos seculares. O ser humano desentendeu-se consigo, os semelhantes e o planeta; as guerras têm suas causas nesse desequilíbrio. As degradações das relações humanas são o sintoma do grande vazio promovido pela ausência da chama superior que todo o ser humano traz , mas que jaz adormecida como a bela princesa dos contos infantis.

O espírito – essência superior da natureza humana – permanece incógnito à pessoa que não emprega suas faculdade superiores.

Para ter um domínio sobre si e conquistar a capacidade de enfrentar as dificuldades que a vida apresenta, é necessário preparar a mente, o que nada tem a ver com a instrução que se recebe nas escolas cujo objetivo se limita à capacitação profissional. Essa nova educação é ampla, abrangente.

A Logosofia afirma que o homem vive em um mundo onde imperam os pensamentos; onde se tem a equivocada sensação de ser senhor da vida, dos acontecimentos e do espaço físico que habita. Em geral, são os pensamentos que perambulam pelo ambiente mental que governam a vida das pessoas. Veiculados pelos meios de comunicação, vão de mente em mente, impressos em livros provenientes, muitas vezes, de mentes exóticas cujos donos de há muito se decompuseram sob lajes ancestrais que não conseguiram sepultar as idéias e os costumes que compõem o grande cemitério das chamadas tradições.

Mas o que são os pensamentos? Sendo um produto da mente, não seríamos seus senhores? Onde ele está ? Que sutil engenho poderia fotografá-lo? É invisível? A que mundo pertence?

A existência do pensamento como entidade psicológica, agente da inteligência e promotor da felicidade ou da desgraça humana, segundo sua natureza, é a prova da existência de um outro mundo, o mental, absolutamente desconhecido pela maioria das pessoas.

Essas entidades invisíveis são perfeitamente palpáveis e visíveis aos olhos do entendimento, desde que ele tenha sido adestrado para identificá-los.

O caminho da evolução consciente proposto pelo conhecimento logosófico exige que a mente seja preparada para o conhecimento e domínio dos pensamentos e capacitada para a criação de outros novos, filhos mentais gerados e educados pelo indivíduo que, através deles, poderá chegar a transcender e sobreviver aos curtos anos de sua existência física no planeta.

Dessa maneira, o império dos pensamentos poderá ser substituído pelo da inteligência e do espírito através da reversão desta condição humilhante em que a maioria se encontra, escravizada pelos pensamentos que perambulam pelo mundo.

Nagib Anderáos Neto
www.logosofia.org.br

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Monday, November 05, 2007

Atenção e Inteligência

A cura da chamada doença da distração ou da desatenção não é tarefa simples e não depende da intervenção de médicos ou da ingestão de remédios.
A verdadeira causa dessa falha psicológica não será eliminada com o aconselhamento profissional de quem padece do mesmo mal e não sabe como combatê-lo em si mesmo. Essa é uma das contradições da pedagogia e da psicologia moderna: o instrutor ou o aconselhador pretende ajudar a outros no enfrentamento de dificuldades pessoais sem antes tê-las superado em sua vida.
A desatenção é uma propensão mental proveniente do ócio e das abstrações estéreis. A rotina e o automatismo mental tornaram o ser humano distraído e desatento.
Essa postura mental torna as pessoas ingênuas e inseguras; verdadeiros joguetes nas mãos de espertalhões. Talvez por isto, a cultura atual seja tão voltada para as distrações de todo gênero, para o ócio, a inatividade mental.
A atenção em tudo o que se faz sem o concurso da consciência individual se tornará inoperante. No entanto, a consciência anda tão inativa, escondida, deprimida. Num mundo onde grandes mentiras são tidas como verdades, a ampliação da área da consciência fica impossibilitada e a síndrome da distração alastra-se em proporções assustadoras.
Tempo é dinheiro. Ter é poder. Onde falta dinheiro, falta felicidade. Estas são algumas das inúmeras faces da Grande Mentira que comprou a alma humana para sacrificá-la como o diabo descrito por Goethe. O mecanismo da atenção deverá ser regido pela consciência e não por remédios, tratamentos ou por aconselhamento espiritual duvidoso.
O que significa ser inteligente?
A inteligência pressupõe o exercício de diversas funções mentais que podem se complementar em mútua colaboração: recordar, observar, refletir, pensar, julgar, raciocinar, imaginar, combinar. Para a Logosofia, a inteligência é a faculdade máxima e se resume no funcionamento harmônico das mencionadas para o bem e superação do indivíduo, o que, em geral, não acontece.
A cultura convencional que recebemos de nossos antepassados está voltada, quase que exclusivamente, para a utilização da memória e da imaginação. Nas escolas as crianças são massacradas com uma infinidade de informações que devem ser memorizadas em detrimento das outras funções. Essa memorização absurda será necessária para o vestibular que exigirá do jovem esse enciclopedismo inútil.
O entendimento não desenvolvido faz com que o indivíduo aceite, passiva e ingenuamente, versões absurdas sobre a realidade, fantasias de toda a índole que se opõem à verdade, acorrentando o espírito - potencialmente inteligente - no claustro de crenças absurdas. O desenvolvimento da inteligência exige o adestramento da observação, do juízo, da razão, do entendimento, do pensar. O ser humano não pode se transformar num papagaio repetidor de falas criadas por outros, nem num ser que vive a imaginar coisas que nunca realiza. A inteligência deve ser desenvolvida na realização das principais tarefas da vida: evoluir e colaborar com as outras pessoas nesse sentido.Ser inteligente implica ser humano, saber conviver com as pessoas, buscar e ir encontrando a felicidade através da vida.
A inteligência é um dom divino que todos recebemos ao nascer para este mundo e que poderá ser desenvolvida. Máquina alguma haverá de substituir essa capacidade cognoscitiva e criativa que todo o ser humano tem e que, aliada ao sentir, poderá levá-lo a condições cada vez mais humanas.
Para conhecer e se aproximar do Criador, é lógico e necessário que se conheça a parte da Criação que mais está ao nosso alcance, ou seja, nós mesmos, e que se experimente as alternativas evolutivas que nos foram concedidas através de um processo conscientemente realizado.
Ser mais inteligente significa ser mais humano; interessar-se pelo próprio futuro e o dos demais; estar atento a quanto ocorre na própria vida, no dia-a-dia, com o intuito de aperfeiçoar a conduta e facilitar a convivência com as outras pessoas.


Nagib Anderáos Neto
www.logosophy.net

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