Tuesday, April 10, 2012

As Palavras Bumerangue

As palavras deveriam constituir um patrimônio de inestimável valor representando a pessoa que as emitiu. Cuida-se muito pouco delas. Se o ser humano tivesse consciência do grande mal que inflige a si ao emitir impulsiva, apressada e irrefletidamente palavras que levam o selo da discórdia, da indiscrição, da intromissão e da maledicência, e que este agravo acaba por voltar-se contra ele - como a arma de arremesso dos indígenas australianos - cuidaria das próprias como sagradas. Elas representam os pensamentos da pessoa.
Em geral, o homem se move mentalmente em função de pensamentos alheios que absorve pelos meios que circula. Essa importação, que pode ser positiva ou negativa, cria um ambiente mental antagônico e indisciplinado sem que se tenha um controle sobre ele; diz o que não queria, prejudica-se por falar demais, ofende os que ama e assim por diante.
Não é conveniente querer falar bem antes de aprender a pensar. O conteúdo da palavra, o pensamento que a anima, deverá estar apoiado na conduta que possa atestar sua natureza.
Quais fatores dificultam a livre expressão do pensamento? Por que a maioria das pessoas tem dificuldade para falar em público?
O bom conhecimento da língua favoreceria aquela prática; quanto maior o vocabulário, maiores recursos de expressão. Há pessoas que têm um grande conhecimento da língua, um amplo vocabulário adquirido através da leitura, mas grande dificuldade em expor o pensamento.
Existem certas limitações psicológicas comuns à maior parte das pessoas que impedem a livre manifestação das idéias. É muito comum ocorrer o esquecimento ou que se fuja do assunto por causa de uma preocupação. Essa falta de domínio é generalizada. A maior parte das pessoas padece desse mal, e por um motivo bastante simples: o desconhecimento da estrutura mental para que se possa agilizar a observação, a reflexão, a recordação, o pensar, julgar e combinar. É necessário conhecer esse mecanismo e adestrá-lo para desenvolvê-lo, como fazemos com as capacidades físicas.
Certa vez alguém disse que Deus fez o ser humano com dois ouvidos e uma boca, para ouvir mais e falar menos. A admirável arte do silêncio permite a quietude mental do aprendiz que quer ouvir, possibilitando o desenvolvimento da comunicação através da palavra. Saber calar, para poder ouvir e falar.
Aquietar e silenciar os pensamentos, ouvir com atenção as idéias do interlocutor, expor com serenidade e segurança as idéias, pensamentos e convicções, respeitar as que não coincidam com as nossas, buscar o ponto de conciliação entre as diferenças. Tudo faz parte de uma conduta de exceção nestes tempos de desencontros e incompreensões.
Se não aprendemos a ouvir os pensamentos e idéias das outras pessoas, tendemos a cair na obstinação, a não aceitar nenhuma variante ou reparo aos nossos pontos de vista. O obstinado quer que os outros conciliem com suas idéias, mas ele nunca é capaz de conciliar com as alheias; é incapaz de ouvir qualquer coisa além daquilo que ele admite ou vê. O que discorda dele é considerado inimigo. Existe, na grande maioria dos seres humanos, certa dose de obstinação, essa surdez mental que nos impede extrair dos critérios alheios algo que nos ajude a superar a rigidez cadavérica de nosso juízo e teimosia -. No entanto, para compensar, existe também o gérmen da transigência, capacidade de avaliar os outros critérios e alterar os próprios quando uma razão maior ou uma nova situação exija, como muito bem ponderou González Pecotche em seu livro “Deficiências e Propensões do Ser Humano”.
O início de uma ação consciente caracteriza-se pela atenção e cuidado com as palavras que se pronuncia. Elas representam os pensamentos que estão na mente de quem as utiliza.
Cuidar mente e dos pensamentos significa zelar pela vida e o conceito pessoal.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Monday, December 12, 2011

A Cultura na Formação de Uma Nova Civilização

Os seres humanos passam por aqui, vivem um tempo, deixam um dia esta Terra, mas fica a cultura, o cultivo de pensamentos e idéias urdidos em palavras e obras. Todo indivíduo pensante contribui para o aquilatamento da cultura que é um legado para as gerações futuras.
Da mesma forma que um grão de areia encerra em si todo um Universo, cada ser humano pode concentrar toda uma humanidade e ser uma ínfima representação da Sabedoria Universal, do próprio Deus que nela Se confunde.
A grandeza de uma cultura pode ser o fundamento de uma Nação e amplia-se com o aumento da capacidade de estudo. A instrução continuada deverá ser o pilar principal de qualquer política. Tudo o mais será conseqüência dela, pois a maior vocação do espírito humano é a criação, a realização para o que o estudo contribui diretamente. A Pátria e o espírito nacionalidade provêm dessa realização. O estudo individual e coletivo unem os seres humanos na realização e compreensão das altas finalidades do ser humano.
Existe uma cultura comum e informativa cujos alcances estão limitados à sua superficialidade. Há também uma mediana que se eleva por sobre as capas da ignorância e alcança os bancos universitários, mas quase sempre circunstanciada a aspectos materiais da vida, sua subsistência, ou mesmo alguns prazeres intelectuais que roçam uma pseudo-superioridade que se desmorona ao mais leve confronto entre as personalidades desenhadas com aparente refinamento, mas com uma grande incapacidade por reconhecer as suas limitações.
Existem os lampejos de uma nova cultura, a superior, onde o espírito humano se libera das amarras da mediocridade, do egoísmo e da superstição que tanto o limitam e aprisionam.
As linhas divisórias entre as diversas culturas estão na qualidade, conteúdo e hierarquia dos conhecimentos que as concretizam, indo da experiência pré-histórica da sobrevivência, na qual as armas serviam para matar as feras que ameaçavam o homem e, passando por nossa época, quando as mesmas armas servem para se exterminarem, pois as feras que os ameaçavam no passado acabaram surgindo em suas mentes como pensamentos monstruosos que querem destruir a vida no planeta, até chegar a um futuro superado, esperança de toda a espécie, uma nova civilização na qual se reconhecerá em tudo quanto existe a expressão vívida da Sabedoria Universal merecedora de toda a reverência e respeito.
A nova cultura será o produto de uma grande revolução a ser travada no íntimo dos seres humanos, no âmbito de seus pensamentos e sentimentos, através da eliminação do que lhes tem dificultado a convivência pacífica, pois inteligência pressupõe harmonia interior e entre as pessoas. Mais do que informativa, ela será formativa, na qual os espíritos ávidos por conhecimentos haverão de ampliar a consciência e cultivar pensamentos e sentimentos de natureza superior através do estudo e esforço próprios.
O ser humano do futuro deixará de lado as ambições que deságuam em insanos sonhos de poder e riqueza substituindo-os pelo amor ao estudo e ao saber. Além do meio ambiente que o cerca, aprenderá a cuidar do próprio ambiente mental de onde provêm os pensamentos e as idéias que podem elevá-lo ou mergulhá-lo na escuridão.

Nagib Anderaos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Wednesday, November 30, 2011

O Pensamento, o Sentimento e a Intenção

Antes de qualquer atitude há uma intenção, algo que move à ação. As pessoas são definidas por suas intenções, que podemos chamar de pensamentos umas vezes, sentimentos outras; algo dentro da mente ou do coração as move. Essas intenções podem ser produtos próprios ou de outras pessoas. É importante diferenciar o que é próprio do alheio. Quando vêm do coração, do sentimento, é sempre pessoal, íntimo. Ninguém sente com o amor do outro, senão com o que é pessoal.
Se comprar algo impulsivamente, movido pela mídia ou influência de um amigo, ali atuou um pensamento alheio. Posso comprar por minha necessidade ou determinação. O consumismo é uma compulsão, algo que vem de fora e incita a adquirir o que não precisamos; ele é ruim, estraga a Natureza e as relações. Para que desperdiçar energia, recursos, para o que não se necessita? Eles poderiam ser utilizados para ajudar outras pessoas.
O consumismo desenfreado leva ao endividamento da sociedade com sua grave conseqüência econômica, como se tem visto nas recentes crises na América e Europa.
Por detrás das atitudes e palavras estão os pensamentos, que podem ser próprios ou alheios, bons ou maus. Conhecê-los, classifica-los e afastar-se dos que não são convenientes, é uma tarefa que ninguém poderá fazer por nós.
A cultura midiática a que nos expomos nos bombardeia com informações que induzem às atitudes que nem sempre nos convém. Desenvolver uma capacidade seletiva da inteligência é algo que as escolas não ensinam, como a boa convivência. Resguardar-se desse ataque é conveniente para que não sejamos meros espectadores de acontecimentos, esquecendo-nos da vida que temos de viver como atores que devem conduzi-la.
Escolas de Adiantamento Mental mobilizam pessoas em várias partes do mundo para que despertem à realidade dos pensamentos – entidades psicológicas vivas – que tanto podem propender ao bem quanto ao mal. Conhecê-los e submetê-los à vontade faz parte de uma cultura de exceção que no futuro será de domínio da sociedade.
Tudo o que o homem diz e faz desenha-se antes em sua mente na forma de pensamentos que podem ter vindo de outras mentes ou gerados nela. O conteúdo da vida depende da qualidade deles e da capacidade mental de criar os próprios, para que sirvam para o aperfeiçoamento pessoal e social.

Nagib Anderáos Neto
www.twitter.com/anderaosnagib
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Tuesday, May 31, 2011

Larguei o Cigarro

Ao andar pelas ruas das grandes cidades, impressiona-nos o crescente número de fumantes, dependentes químicos e psicológicos do cigarro que arruínam a própria saúde e formam um grande contingente que é um peso para a saúde pública e o sistema previdenciário, com graves conseqüências sociais e econômicas. Segundo as estatísticas, os jovens estão fumando mais, as meninas especialmente. Apesar das restrições à propaganda, o vício vai se alastrando descontroladamente.

No dia primeiro de Maio de 1998 parei de fumar. Um grande final de uma brincadeira que durou mais de trinta anos. Estava por completar 50 anos e resolvi dar um golpe fatal naquele hábito horroroso com o qual não me conformava desde que o adquirira na década de sessenta. Naquele tempo todo mundo fumava, era chique, bonito, apreciado. Nos tempos de cursinho e faculdade, nem se fale!

Comecei filando do meu pai que deixava o maço em casa e só fumava um cigarrinho depois do cafezinho. Depois comecei filar dos amigos, e um dia comecei a comprar. Fumava pouco, mas fumava.

Quando tinha uns vinte e poucos anos descobri que por detrás do hábito havia um pensamento em minha mente que o representava e que precisava ser controlado para não crescer demais. E foi o que fiz; cuidei dele, mas não o matei de fome, do que me arrependo, mas em tempo o fiz, com quase cinqüenta anos.

Quando larguei, descobri que além do hábito representado por aquele pensamento, havia uma dependência química, os anticorpos que pediam a dose diária de nicotina e que em 15 dias de abstinência foram eliminados do organismo. E como o pensamento estava fraquinho pelo combate que travei durante aqueles longos anos, venci a batalha sem remédios nem apoio psicológico, com minha própria vontade!

Foi uma longa e árdua luta como tantas que devemos travar com certos pensamentos estranhos e que têm vida própria em nossa mente e acabam por mandar em nossa vida.

Como escreveu certa vez o educador González Pecotche, vivemos num mundo onde imperam os pensamentos. Temos a impressão de sermos os donos de nossa vida e de nosso destino, mas na verdade somos levados de lá pra cá por pensamentos estranhos, exóticos, ditadores.

Como muito bem explicou-nos noutro dia o amigo Antonini, a mente do ser humano assemelha-se à uma praça pública com uma multidão de pensamentos de toda índole que por lá perambulam num burburinho e numa desorganização sem precedentes.

Qualquer mudança naquele ambiente deve começar por ordená-la e organizá-la, identificando os transeuntes e selecionando aqueles que podem servir. Uma espécie de estado de sítio mental subordinado à autoridade de um pensamento central.

Reverter a condição humilhante em que a maioria das pessoas vive, escravizadas por pensamentos alheios e estranhos à própria vontade e realidade, é uma tarefa cujos resultados são infinitamente superiores ao esforço empreendido.

Nagib Anderaos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Tuesday, February 15, 2011

A Logosofia e os Pensamentos

Um dos pilares da Logosofia – especialidade científica e metodológica que trata da reativação consciente do individuo - é sua concepção sobre o sistema mental constituído por duas mentes: uma comum, inferior, utilizada para a vida rotineira, a material, e que pode ser parcialmente organizada através dos estudos correntes nas escolas e universidades; outra superior, que transcende e existe em latência em todo o ser humano. É muito comum ouvir-se dizer que usamos um quase nada de nossa capacidade mental que equivale à esfera mental inferior que o homem tem utilizado há séculos para sua sobrevivência na Terra. Já a esfera superior precisa ser ativada para que ele transcenda os estados primitivos em que se encontra, numa guerra permanente consigo e os semelhantes.

Os conhecimentos apresentados pela Logosofia tendem ao desenvolvimento de todo o sistema mental, organizando a mente inferior e desenvolvendo as faculdades superiores.

Se o ser humano continua se comportando como um selvagem, apesar de incontáveis séculos de lenta evolução, é porque não aprendeu a pensar, a reconhecer o Criador em tudo quanto existe, especialmente em seus semelhantes que deveriam merecer o maior respeito.

Nos tempos de violenta modernidade, o afastamento entre as pessoas e os povos é incompreensível, provocado pela ignorância e preconceitos seculares. O ser humano desentendeu-se consigo, os semelhantes e o planeta; as guerras têm suas causas nesse desequilíbrio. As degradações das relações humanas são o sintoma do grande vazio promovido pela ausência da chama superior que todo o ser humano traz , mas que jaz adormecida como a bela princesa dos contos infantis.

O espírito – essência superior da natureza humana – permanece incógnito à pessoa que não emprega suas faculdade superiores.

Para ter um domínio sobre si e conquistar a capacidade de enfrentar as dificuldades que a vida apresenta, é necessário preparar a mente, o que nada tem a ver com a instrução que se recebe nas escolas cujo objetivo se limita à capacitação profissional. Essa nova educação é ampla, abrangente.

A Logosofia afirma que o homem vive em um mundo onde imperam os pensamentos; onde se tem a equivocada sensação de ser senhor da vida, dos acontecimentos e do espaço físico que habita. Em geral, são os pensamentos que perambulam pelo ambiente mental que governam a vida das pessoas. Veiculados pelos meios de comunicação, vão de mente em mente, impressos em livros provenientes, muitas vezes, de mentes exóticas cujos donos de há muito se decompuseram sob lajes ancestrais que não conseguiram sepultar as idéias e os costumes que compõem o grande cemitério das chamadas tradições.

Mas o que são os pensamentos? Sendo um produto da mente, não seríamos seus senhores? Onde ele está ? Que sutil engenho poderia fotografá-lo? É invisível? A que mundo pertence?

A existência do pensamento como entidade psicológica, agente da inteligência e promotor da felicidade ou da desgraça humana, segundo sua natureza, é a prova da existência de um outro mundo, o mental, absolutamente desconhecido pela maioria das pessoas.

Essas entidades invisíveis são perfeitamente palpáveis e visíveis aos olhos do entendimento, desde que ele tenha sido adestrado para identificá-los.

O caminho da evolução consciente proposto pelo conhecimento logosófico exige que a mente seja preparada para o conhecimento e domínio dos pensamentos e capacitada para a criação de outros novos, filhos mentais gerados e educados pelo indivíduo que, através deles, poderá chegar a transcender e sobreviver aos curtos anos de sua existência física no planeta.

Dessa maneira, o império dos pensamentos poderá ser substituído pelo da inteligência e do espírito através da reversão desta condição humilhante em que a maioria se encontra, escravizada pelos pensamentos que perambulam pelo mundo.

Nagib Anderáos Neto
www.logosofia.org.br

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Tuesday, September 14, 2010

Educação Para o Desenvolvimento

Uma nova pedagogia requer a reeducação dos adultos que terão a seu cargo a instrução da humanidade do futuro. O que tem sido prática corrente na educação infantil deverá ser revisto, reestudado. Os sistemas de instrução e os conceitos básicos empregues não têm funcionado convenientemente. Instrui-se para tudo, menos para o que mais interessa: a convivência pacífica do indivíduo consigo e com os outros seres humanos.

A humanidade está dividida em raças, religiões, camadas sociais, culturais, partidos políticos, etc. Os sistemas pedagógicos são divisionistas, separatistas. Cada agrupamento arvora-se como dono absoluto da verdade, não compreende que ela surge da união das pessoas pela compreensão de sua realidade fragmentada da Grande Realidade Universal da qual todos formam parte.

Às crianças ensina-se que devem ser as melhores em tudo o que fazem; melhores que as outras. Inocula-se, desde muito pequenas, o nocivo e maligno vírus do separatismo, de uma pseudo-superioridade; a ilusão da felicidade alcançada quando se chegar a ser melhor do que os outros. No futuro as crianças serão instruídas no sentido de serem melhores que elas mesmas; que o aperfeiçoamento pessoal tenha um cunho essencialmente humanista: ser melhor sendo mais útil para si e os semelhantes.

O amor ao próximo deixará de ser uma figura de retórica para representar a compreensão cabal de um fragmento da Grande Verdade e será vivenciado, experimentado, e não apenas discursado .Sem o entendimento não há compreensão. Sem compreensão não há realização. Sem realização, os seres humanos seguirão inimigos de si mesmos, filhos deserdados de um Criador que não chegaram a compreender.

Um dos investimentos de maior retorno é o empregue na educação. Quantos esforços e sacrifícios para que os filhos possam estudar; quantas frustrações quando isso não é possível.A educação básica é necessária para o encaminhamento das soluções dos problemas materiais, mas insuficiente para a solução dos de convivência, morais e espirituais. Muitas pessoas, com esmerada educação convencional, são desprovidas da integral, humanitária, moral, familiar, que parece ser algo que não se aprende nos bancos escolares.Falta ao ser humano uma educação para a vida relacionada à conduta.As dificuldades na convivência, na adaptação à realidade do mundo, as tristezas e a insatisfação tão comuns hoje em dia têm sua raiz nessa falta de capacidade pessoal que escola alguma tem ensinado.

No âmbito da educação convencional é possível compensar a sua falta através da aquisição de uma cultura geral obtida através de leituras e viagens que se possa fazer preenchendo aquele vazio. Pode-se viajar através dos livros e sobre as asas do pensamento de um autor que nos leve a zonas de conhecimentos que nunca imagináramos pudessem existir.

Ao que tudo indica, parece ser o aprendizado, a busca e a conquista de conhecimentos, a finalidade maior da vida do ser humano no planeta.Saber e conhecer são a questão do momento, uma nova cultura que deverá orientar a humanidade do futuro .

A arte da educação mental consiste num constante e diário treinamento da inteligência; num preparo dessa zona mental que tem sido pouco utilizada no dia-a-dia e que corresponderia às atividades relacionadas ao autoconhecimento e aperfeiçoamento das condições pessoais. Assim, o adestramento da capacidade pessoal de observar ou faculdade da observação consistiria num treinamento para desenvolvê-la.

Muitas vezes as pessoas assumem atitudes das quais se arrependem como se houvesse no interior delas uma força maior que as impelisse a tomá-las contrárias à sua sensibilidade e vontade. Isto ocorre por existir na mente dos seres humanos pensamentos que atuam discricionariamente.A arte da educação mental consistiria na identificação e conhecimento dessas entidades psicológicas, os pensamentos, e num trabalho seletivo que a inteligência poderia exercer sobre eles.

Muitos educadores preferem a verdade à fantasia na orientação da infância e adolescência. Compreendem que de tanto ouvir e transmitir fantasias e coisas irreais, a vida pode se transformar numa grande mentira.Alguém diria a uma criança que a Terra não se move e que é o centro do Universo? Ou que os trovões existem porque os deuses estão empurrando móveis no Olimpo?Na infância da humanidade os homens acreditavam nessas e noutras fantasias por ignorância, falta de conhecimento. Galileu Galilei, o grande cientista italiano, quase foi queimado na fogueira por sustentar que a Terra não era o centro do Universo. Salvou-se porque abjurou, negou a verdade que havia vislumbrado para não ser condenado.Infelizmente, a grande maioria dos educadores acha louvável a fantasia, a ilusão e o irrealismo nas histórias que transmitem às crianças: animais que falam, super-heróis que voam, desenhos animados que não educam e transmitem a violência às crianças que depois, quando adultas, não entendem o porquê das crueldades e violência que imperam no mundo.A criança cria suas fantasias porque em sua inteligência incipiente só funcionam a memória e a imaginação e seu entendimento ainda não despertou para que compreenda o mundo com suas belezas e maldades criadas pelo homem. Não é necessário que os adultos lhe venham acrescentar ilusões e mentiras que nada têm a ver com a realidade, e sim que a protejam de certas realidades cruéis deste mundo que ela não suportaria defrontar por não estar preparada para entender.Proteger o entendimento e a sensibilidade de uma criança faz parte de uma docência positiva que afasta o pequeno do sofrimento pelo choque prematuro com a realidade. Da mesma forma, o seu entendimento deve ser preservado da mentira, do irrealismo e da ficção para que possa despertar, no futuro, livre de preconceitos, temores e da depressão.

Educar para a vida é muito mais do que dar escola gratuita e ensino fundamental; é preparar os entendimentos para que despertem do sono milenar que tem submergido a humanidade na inércia mental e prostrados os espíritos nos cárceres da ignorância.

A causa de toda a pobreza é a ignorância. E não há outra forma de combatê-la que não seja através da educação. Muitos países ditos em desenvolvimento vão de encontro à história pelo mau exemplo de seus governantes que privilegiam o assistencialismo inócuo, mergulhando o povo na inércia, ao invés de estimular o estudo e a iniciativa.Não há maior inimigo da liberdade que a ignorância. E não há maior ignorância que a ausência de si , a inconsciência dos que se encarceram por detrás dos barrotes de preconceitos e idéias medievais e retrógradas.

Ao mesmo tempo em que o homem traz dentro de si o anseio por liberdade, também traz a tendência à submissão, por acreditar em coisas inverossímeis, cultivar ídolos, idolatrar místicos fantasiosos, apesar de todos os homens terem o anelo de serem felizes.Essas tendências aparentemente paradoxais são frutos psicológicos de uma característica inerente ao homem: ligar-se aos outros, não ser uma pessoa isolada, comunicar-se.Talvez aí a explicação das seitas, religiões, ideologias, partidos políticos e fanatismos que não justificam aquela tendência.

A lição da pobreza ensina que o maior cego não é o que não quer ver, senão o que não quer entender. E que ajudar os outros é a melhor maneira de ajudar a si mesmo. E que mais que dar o peixe ou ensinar a pescar, o fundamental é ensinar a pensar. E nunca pretender ensinar antes de haver aprendido. E que pensar é, antes de tudo, criar.

O homem nasceu para ser feliz e aprender que a maior de todas as felicidades é saber, conhecer e ser livre. A maior das escravidões é a mental, onde o homem se vê encarcerado na ignorância, a pior das prisões: o desconhecimento da sua realidade, das causas dos erros e desacertos. Quem se desconhece é um presidiário na própria casa, embora perambule em aparente liberdade pelas ruas cercado por temores e incertezas.

A verdadeira torre de Babel está aí. Os que falam o mesmo idioma não se entendem.Tudo indica que a linguagem inscrita na Natureza ainda não foi decifrada pelo pequeno homem pretensioso, vaidoso e político.Homens divididos são domináveis, escravizados pelos que em tudo veem a possibilidade de satisfações materiais, cegos por inconfessáveis ânsias de domínio, poder e riqueza.

Pensar é respirar. O Universo respira por mais que queiramos abafar e aquecer o pequeno planeta com o gás sufocante do progresso. A Terra é um ínfimo na Criação imensa. A inteligência não, ela pode ser maior. A alma pode transcender este hiato decaído e se projetar num futuro ilimitado, onde os homens sentirão a alegria de viver e serem humanos.

Os déspotas, os impostores e os predicadores são os inimigos da liberdade que não querem que o homem pense e seja livre. O ser humano não nasceu para viver isolado e nem acorrentado.

O ideal de fraternidade permitirá que o homem se aproxime de seus semelhantes através do conhecimento e da cultura, únicas riquezas capazes de tirá-lo do sofrimento e do isolamento.

Os inimigos da educação e da cultura são os inimigos da liberdade e do povo.

Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Tuesday, October 31, 2006

Liberdade Pelo Pensamento

É possível que o temor da morte provenha do fato de se pensar que tudo termina com a vida.
A morte verdadeira é o não pensar, uma tirania que aprisiona a inteligência, uma escravidão mental.
Como sentir a eternidade dentro de si?
Não estamos morrendo todas as noites para despertar no dia seguinte?
Na Comédia de Dante, diz o poeta: “O pior dos suplícios é sentir-se morto sem acabar de morrer, é sentir-se quase vivo estando morto, e ansiando morrer, seguir vivendo”.
A morte tem a ver com a falta de estímulos, de interesse e esperança pelo futuro.
O essencial é a atividade, o movimento, o equilíbrio. É necessário abandonar a inércia e a desesperança, construir um novo futuro e um passado, ressurgir das cinzas como o pássaro imortal, uma verdadeira ressurreição que a lenda de Lázaro não pôde explicar.
Por que o espírito humano busca o conhecimento e o aperfeiçoamento? Por que busca o acercamento com Deus?
A liberdade do homem é construída sobre o pensar. Quanto mais pensar, mais livre será. Mas o que é pensar? A movimentação discricionária de pensamentos na mente seria pensar? Não, isso não é criar soluções luminosas, optar por caminhos, selecionar o que convém para o bem e felicidade próprios e alheios.
Ao pensar, opomo-nos à fatalidade e liberamo-nos do destino comum, da vida comum, da mediocridade.Trata-se de opor à fatalidade um destino próprio, construído pela pessoa, que será viável através do conhecimento, do domínio dos pensamentos.
Qualquer obstáculo pode ser transformado em instrumento de aperfeiçoamento pessoal através da utilização da inteligência. Um defeito pessoal que nos incomoda poderá mover-nos para combatê-lo, extirpá-lo, para mudar. E mudando poderemos ir construindo um novo futuro, um novo destino. Nenhuma idéia diferente ou oposta à do aperfeiçoamento poderá nos impulsionar para a construção de uma vida mais ampla e feliz.
Um dos preceitos gravados no Templo de Delfos era o “Conhece a ti Mesmo”. Platão diz através de Sócrates - personagem de um de seus escritos -: “Parece-me ridículo, pois, não possuindo eu ainda esse conhecimento, que me ponha a examinar coisas que não me dizem respeito... Não são as fábulas que investigo; é a mim mesmo”.
Esse conhecimento implica conhecer os defeitos pessoais. É muito comum censurarmos os dos outros. Ao evitar, em nós, os que censuramos, estaríamos realizando uma pequena parte daquele Conhecimento inscrito no Templo grego.
Assim como a fome e a sede são sinais de nosso organismo indicando que precisamos nos alimentar, nossos defeitos são sinais que nosso organismo psicológico nos dá indicando que devemos mudar. E o nome dessas mudanças é “educação espiritual”; construção de uma nova conduta que deverá nos ocupar diariamente, da mesma forma como dormimos e nos alimentamos, para não cair na inanição mental, na indigência espiritual.
Para González Pecothe, o criador da Logosofia, “o quadro das deficiências que a criatura humana apresenta, desde que nasce até o final de seus dias, poderia parecer desalentador. Todavia, isso não deve abater o seu ânimo, porquanto é preferível conhecer que inimigos temos dentro, para combatê-los com lucidez mental, a ignorá-los, enquanto ficamos à mercê de sua influência despótica, suportando docilmente a maioria dos desgostos e depressões que diariamente ocasionam”.

Nagib Anderáos Neto

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