Tuesday, January 17, 2012

Tales de Mileto

Tales de Mileto é conhecido como o pai da filosofia. De ascendência fenícia, nasceu na antiga colônia grega, hoje Turquia, 624a.C. e faleceu por volta de 556. Referia-se à existência de um principio único como sendo a água, talvez uma metáfora que se referisse ao rio Estige. Dois mil e quinhentos anos antes de Darwin, ele vislumbrou uma evolução vinda da água e, como Empédocles, que sobreviveria o que está mais bem capacitado; hoje diríamos que sobrevive o que mais se adapta.
Comerciante, político, filósofo, matemático e astrônomo, foi considerado um dos sete grandes sábios da Grécia e um homem extremamente prático. Atribui-se ao pensador muitas demonstrações geométricas, principalmente a de que quando duas retas se cortam, os ângulos opostos pelo vértice são iguais; de que uma circunferência é dividida em duas partes iguais por cada um de seus diâmetros; que um triângulo fica perfeitamente definido por sua base e os ângulos de sua extremidade; que os dois ângulos da base de um triângulo isósceles são iguais, etc.
Aristóteles considerou Tales o iniciador da filosofia por ter tido o tempo necessário que o ócio criativo exige, pois era um rico mercador.
Não é provável que tenha sido o primeiro homem a filosofar, a indagar sobre nossa origem e destino, pois tal postura faz parte da natureza humana, mas sim herdeiro de antigos conhecimentos e inquietações de egípcios e babilônios. Não há nenhum registro escrito de sua autoria, senão referências. A busca da unidade, da causa única, está relacionada com o pensamento de Heráclito de Éfeso que o sucedeu, outro pré-socrático para quem “todo o acontecer é regido por Leis Universais“ e que viveu de 535a.C. a 475 naquela cidade greco-romana da antiguidade, a segunda maior do Império, localizada onde hoje também se encontra a Turquia. O obscuro pensador Heráclito dizia serem as mudanças a essência das coisas, como a corrente de um rio no qual não se pode entrar duas vezes. Como aquele rio, a vida é cambiante e deverá ser por nossa vontade, não pela alheia. A essência da evolução é o movimento. O homem, entidade ímpar nesta parte da Criação, poderá realizá-la conscientemente em sua natureza mental e psicológica.

Tales é também conhecido como o filósofo do poço, o absorto pensador que, ao observar as estrelas, esqueceu-se do que estava abaixo de seus pés e afundou num fosso profundo; pressentiu a unidade por detrás da multiplicidade, e com ela o divino, o profundo, o invisível, o inominável, tudo cheio de mistérios, deuses, profundidade.
Para muitos, foi o primeiro a indagar sobre o contingente, o passageiro, o eterno, buscando a explicação da origem de tudo, e com os olhos tão distantes do dia-a-dia corriqueiro que foi capaz de perder o chão sob os pés por ter os olhos perdidos em abstrações para muitos inúteis, para outros necessárias para quem quer pensar com liberdade.
A inquietante busca da Verdade, da finalidade da existência humana, do significado da divindade e do Universo, ao invés de aceitar versões duvidosas sobre as questões que cada um deve esclarecer por si, faz com que muitos seres humanos dediquem suas vidas para se esclarecer e a outros que tenham as mesmas preocupações.
Talvez esse seja o objetivo da vida,

Nagib Anderáos Neto
neto.nagib@gmail.com

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Sunday, January 24, 2010

O Homem Não é Um Animal

Pensar por própria conta custa certo esforço, como todo ato criativo, e exige preparo, treino, exercício diário. É diferente de sonhar, lembrar, imaginar. Ao criar, a imaginação, o sonho e a recordação poderão ajudar. Seja uma pintura, um filho, um pensamento, o criador se confunde com sua obra, vive nela.

Pensar é respirar. Sem ar o corpo expira. Sem pensar, a alma dorme. Quem não pensa vive repetindo coisas pensadas por outros, submete-se, repete-se.

A rotina é inimiga da criação, como a preguiça, a indiferença e o conformismo. Os animais se repetem, o homem pode se diferenciar, se transformar, mudar no breve hiato entre o nascimento e o desenlace fatal. Se ele fosse um animal – com o perdão de Darwin – estaria sujeito à lenta lei evolutiva que rege todos os processos da Natureza.O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Devemos nos contrapor às ondas anacrônicas do criacionismo, mas daí a nos nivelar aos animais é um pouco diferente. Como tem inteligência e pode ser consciente, seu corpo está sujeito àquela lei em sua conformação biológica, mas sua inteligência e sua sensibilidade, sua alma enfim, podem empreender a sucessão de mudanças evolutivas que os conhecimentos permitem.

A rotina leva à depressão. A monotonia da repetição traz tristeza. Alegria tem a ver com renovação.A passividade e a ignorância podem nos levar a nos confundirmos com os animais. A atividade e o conhecimento nos elevam e nos liberam da mediocridade que nos querem impor os mercadores da verdade.

As perguntas que todos devem se formular são as seguintes: Por que estou neste mundo? O que devo fazer dele? O meu nascimento e minha vida são obra do acaso ou têm uma finalidade? O meu existir é contingente?

Talvez tenhamos nascido para viver, criar e sonhar. Talvez para saber a razão desta existência. A passividade e a ignorância podem nos levar a confundirmo-nos com os animais. A atividade e o conhecimento nos elevam e nos liberam da mediocridade que nos querem impor os impostores.

O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa afirmar que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Se não somos filhos privilegiados desta criação, por que somente o homem é capaz de pensar, criar e se modificar?

O homem do futuro, biológica e mentalmente falando, será herdeiro do homem do presente. Os evolucionistas céticos parecem não perceber essa ligação hereditária, pois ao homem biológico sucedem os pensamentos que ele for capaz de criar, dar vida, e que a ele sobreviverão, e poderão inspirar outros homens a que pensem também, que criem pensamentos que se imortalizem em obras que beneficiem a toda a espécie.

A vida do homem na Terra é um átimo no infinito processo universal. Espelhar-se nele é fator inteligente para a pequena espécie que, prematuramente, muito grande se julga.

Os céticos dizem que todo esse processo evolutivo é obra do acaso. Seria o caso de lhes perguntar se o que entendem por acaso não seria o Deus mesmo.Nada a ver com os deuses imaginários criados por mentes pré-históricas que encabeçaram empresas lucrativas que vêm explorando a ingenuidade dos incautos, senão aquele cuja face visível é o Universo, e a invisível os processos que o homem vai descobrindo através de sua incipiente ciência e sua consciência em formação.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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