Wednesday, January 16, 2008

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento sustentável implica um trabalho inteligente para satisfazer as necessidades humanas do presente sem causar prejuízo para o futuro, abrangendo aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais.
A base da sustentabilidade é o desenvolvimento humano que deve contemplar um melhor relacionamento do homem com os semelhantes e com a natureza. A preservação da qualidade ambiental e social é conseqüência da qualidade individual; um homem melhorado para uma sociedade pacífica e harmônica onde o respeito ao ser humano e à natureza seja o princípio norteador de qualquer política.
A crise ecológica que se presencia é conseqüência de uma grave crise humana. Os homens desentenderam-se. As guerras e os problemas ambientais são conseqüências destes desentendimentos.
Quando boa parte da humanidade despertar do sono da indiferença e da inconsciência e aderir ao silencioso e crescente movimento em defesa do meio ambiente e do ser humano, a revolução ecológica – espiritual se fará sentir em muitas partes e será corrigido o rumo equivocado em que se lançou pelos obscuros caminhos do materialismo e da ignorância. A nova cultura será o produto de uma grande revolução a ser travada no íntimo das pessoas; mais do que informativa, será formativa, proporcionando a ampliação da consciência e o cultivo de pensamentos e sentimentos que unam as pessoas. O homem deixará de lado as ambições desenfreadas substituindo-as pelo ideal de estudo e fraternidade. Além de cuidar do meio ambiente, aprenderá a cuidar de seu ambiente mental de onde provêm os pensamentos e as idéias que podem elevá-lo, ao invés de mergulhá-lo na escuridão.
Há uma enorme mudança cultural em andamento na forma de pensar e de agir das pessoas. O trabalho voluntário começa a ser valorizado por proporcionar o crescimento pessoal, fugir à rotina e desmontar o egoísmo atávico que esteve impregnado nas sociedades precedentes. Ao servir, o maior beneficiado é quem serve com inteligência, que é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro. Servir ainda é uma coisa rara nesta sociedade em que se busca sempre a vantagem pessoal ou se teatraliza uma generosidade e um desprendimento que não existem. E não há que se criar um dia da semana para assumir o papel de voluntário; deve ser um papel permanente. Será necessário criar o pensamento de servir aos outros, que é a melhor maneira de servir a si mesmo.
Já se entende que a educação é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável. E que ela não deve ser restrita aos bancos escolares, senão alcançar o ambiente familiar e o do trabalho. Deve ser muito mais do que informação, senão percepção, entendimento e compreensão da vida em suas relações pessoais e com a natureza.
A empresa socialmente responsável tem o dever de proporcionar o debate e a participação do trabalhador no ambiente de trabalho buscando soluções sustentáveis para o desenvolvimento pessoal e social, pois as deficiências do sistema educacional do Estado são tão grandes que seriam necessárias muitas décadas para que uma revolução educacional pudesse trazer algum resultado palpável por esta via.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
neto.nagib@gmail.com

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Friday, January 05, 2007

Fraternidade e Educação

A causa de toda a pobreza é a ignorância. E não há outra forma de combatê-la que não seja através da educação. Neste sentido, muitos países ditos “em desenvolvimento” vão de encontro à história pelo mau exemplo de seus governantes que privilegiam o assistencialismo inócuo que mergulha o povo na inércia ao invés de estimular o estudo e a iniciativa.

Não há maior inimigo da liberdade que a ignorância. E não há maior ignorância que a ausência de si mesmo, a inconsciência dos que se encarceram por detrás dos barrotes dos preconceitos e de idéias medievais e retrógradas.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que o homem traz dentro de si o anseio por liberdade, também traz a tendência à submissão, por acreditar em coisas inverossímeis,cultivar ídolos,idolatrar místicos fantasiosos, apesar de todos os homens, sem exceção, trazerem dentro de si o anelo de serem felizes.

Essas tendências aparentemente paradoxais – a de dominação e a de submissão - são frutos psicológicos de uma característica inerente a todo o ser humano: a de se vincular aos outros, não ser uma pessoa isolada, comunicar-se. Dominar e ser dominado, ser chefe, empregado, súdito, pastor, rebanho. Talvez aí a explicação das seitas, religiões,ideologias, do fanatismo de toda a espécie que não justifica a tendência mencionada.

A lição da pobreza ensina que o maior cego não é o que não pode ou não quer ver, senão aquele que não quer entender; e que ajudar os outros é a melhor maneira de ajudar a si mesmo. E que mais que dar o peixe ou ensinar a pescar, o fundamental é ensinar a pensar. E nunca pretender ensinar antes de haver bem aprendido. E que pensar é, antes de tudo, criar.

Os déspotas, os impostores e os predicadores são os inimigos da liberdade que não querem que o homem pense e seja livre.

O ser humano não nasceu para viver isolado e nem acorrentado. E a maior das escravidões é a mental, fruto da ignorância.

O ideal de fraternidade é que permitirá, através da união das mentes e corações humanos, que o homem se aproxime cada vez mais de seus semelhantes e de Deus, através do conhecimento e da cultura, únicas riquezas capazes de tirá-lo do sofrimento, do isolamento e da ignorância.

Nagib Anderáos Neto

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