Tuesday, May 18, 2010

Voluntariado no Combate à Corrupção

Antes de procurarmos as raízes históricas da corrupção em nosso país, remontando-nos ao Brasil - Colônia e aos primeiros dilapidadores de nossa terra e exploradores dos ancestrais que aqui estavam muito antes dos colonizadores que vieram trazer sua pretensa cultura em troca de riquezas que levavam para a Europa, falemos das raízes psicológicas desta doença nefasta que corrompe as mentes e endurece os corações criando miséria e injustiça social.

O corrupto é um doente mental que vive em liberdade pelas cidades aparentando uma sanidade que o observador perspicaz não deixa de perceber que é falsa.

A corrupção é o desrespeito total à figura humana, uma atitude travestida de misericórdia e bondade, tão bem representada por pessoas que fingem parecer o que não são nos palanques, nos púlpitos, nas telas das televisões.

O corrupto é um especialista em iludir o semelhante, um camaleão social, sempre pronto e disposto a enganar as pessoas tristemente chamadas de boa-fé. Ele não mostra, não demonstra, não comprova. Seu discurso oco, sorriso cínico e olhar oblíquo têm como único objetivo enganar para se beneficiar. É um materialista incorrigível sempre a se esconder por detrás de uma máscara de bondade que se desfaz à menor e firme oposição inteligente.

A corrupção se confunde com hipocrisia, ambição, mentira e desumanidade. Geradora de guerras e desentendimentos de toda a ordem é o signo mais eloqüente da ignorância. Para combatê-la será necessário combater o atraso e as superstições de toda índole.

É comum associá-la à política, pois ali ela é mais visível, mas não é apenas privilégio daquele triste ambiente; está nas empresas, em associações diversas, porque suas raízes são mentais, pensamentos enraizados nas mentes humanas há séculos que levam os seres humanos a iludir a outros para se beneficiar.

A vitória sobre esta doença será o fruto de um processo lento, mas contínuo, que deverá começar no ambiente familiar, nos bancos escolares, para atingir, depois, todo o tecido social, educando as crianças para a vida, para a boa convivência, preservando suas mentes de pensamentos ambiciosos e agressivos, transmitindo-lhes conceitos humanitários que lhes criem uma consciência de ser humano que veja a vida como um grande campo de experiência, amizade e aprendizado, ao invés do palco onde se desenrola o triste espetáculo das desumanidades e das atrocidades dos seres que vivem a enganar a si próprios e aos demais.

A corrupção tem suas raízes no egoísmo ancestral que trazemos dentro de nós e que nos serviu em épocas remotas nas quais deveríamos nos defender das intempéries naturais, das feras e de nossa própria ignorância. Com o passar dos tempos, as feras que combatíamos surgiram em nossas mentes como pensamentos que agora querem nos devorar e a nossa espécie, como o egoísmo.

Será necessário aprendermos a nos preocupar inteligentemente conosco e com as demais pessoas, pois servir os outros é a maneira mais inteligente de servir a si mesmo. E mais do que dar o peixe, que bem sabido é que não leva a nada, ou mesmo ensinar a pescar, é importante saber se a pessoa ajudada faz bom uso do bem recebido e se o transmite às outras pessoas para que seja credora de apoio futuro.

Assim é como muitas pessoas têm encontrado no voluntariado uma maneira de combater essa praga mental que é a corrupção cujas raízes não foram ainda devidamente identificadas e eliminadas.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
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Wednesday, January 16, 2008

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento sustentável implica um trabalho inteligente para satisfazer as necessidades humanas do presente sem causar prejuízo para o futuro, abrangendo aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais.
A base da sustentabilidade é o desenvolvimento humano que deve contemplar um melhor relacionamento do homem com os semelhantes e com a natureza. A preservação da qualidade ambiental e social é conseqüência da qualidade individual; um homem melhorado para uma sociedade pacífica e harmônica onde o respeito ao ser humano e à natureza seja o princípio norteador de qualquer política.
A crise ecológica que se presencia é conseqüência de uma grave crise humana. Os homens desentenderam-se. As guerras e os problemas ambientais são conseqüências destes desentendimentos.
Quando boa parte da humanidade despertar do sono da indiferença e da inconsciência e aderir ao silencioso e crescente movimento em defesa do meio ambiente e do ser humano, a revolução ecológica – espiritual se fará sentir em muitas partes e será corrigido o rumo equivocado em que se lançou pelos obscuros caminhos do materialismo e da ignorância. A nova cultura será o produto de uma grande revolução a ser travada no íntimo das pessoas; mais do que informativa, será formativa, proporcionando a ampliação da consciência e o cultivo de pensamentos e sentimentos que unam as pessoas. O homem deixará de lado as ambições desenfreadas substituindo-as pelo ideal de estudo e fraternidade. Além de cuidar do meio ambiente, aprenderá a cuidar de seu ambiente mental de onde provêm os pensamentos e as idéias que podem elevá-lo, ao invés de mergulhá-lo na escuridão.
Há uma enorme mudança cultural em andamento na forma de pensar e de agir das pessoas. O trabalho voluntário começa a ser valorizado por proporcionar o crescimento pessoal, fugir à rotina e desmontar o egoísmo atávico que esteve impregnado nas sociedades precedentes. Ao servir, o maior beneficiado é quem serve com inteligência, que é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro. Servir ainda é uma coisa rara nesta sociedade em que se busca sempre a vantagem pessoal ou se teatraliza uma generosidade e um desprendimento que não existem. E não há que se criar um dia da semana para assumir o papel de voluntário; deve ser um papel permanente. Será necessário criar o pensamento de servir aos outros, que é a melhor maneira de servir a si mesmo.
Já se entende que a educação é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável. E que ela não deve ser restrita aos bancos escolares, senão alcançar o ambiente familiar e o do trabalho. Deve ser muito mais do que informação, senão percepção, entendimento e compreensão da vida em suas relações pessoais e com a natureza.
A empresa socialmente responsável tem o dever de proporcionar o debate e a participação do trabalhador no ambiente de trabalho buscando soluções sustentáveis para o desenvolvimento pessoal e social, pois as deficiências do sistema educacional do Estado são tão grandes que seriam necessárias muitas décadas para que uma revolução educacional pudesse trazer algum resultado palpável por esta via.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
neto.nagib@gmail.com

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