Friday, November 18, 2011

Bangladesh, Nova York e São Paulo

O táxi sairia da Lexington com a 48 às três horas. Muito frio para um 11 de Novembro de 2011. Estranha data (11/11/11).
Em 20 minutos, chegaríamos ao JFK em New York depois de uma semana de comprinhas com tudo por menos da metade do preço do que se paga neste rico Brasil dos impostos, da impostura e da corrupção. Dias frios, bons para caminhar para quem não gosta de táxi, metrô e aglomeração.
Nasci em Bangladesh, falou o taxista num inglês impecável. No meu país, que já foi Índia e Paquistão, o inglês é segunda língua, depois do bengali e de nossos 27 dialetos. No meu, retruquei, mal falamos o português, língua nacional.
Aprendi então um pouco mais sobre aquele longínquo país asiático do sul do continente, quase inteiramente rodeado pela Índia, com sua costa pantanosa e selvática cortado pelo Ganges, com mais de 2500 anos, influenciado pelo Hinduísmo, Jainismo, Budismo e Islã. Idioma oficial, o Bengali. População de 148.000.000, chegando perto da brasileira, mas com uma área 60 vezes menor, ou seja, um amontoado de gente, 877 habitantes por quilometro quadrado, enquanto aqui, apenas 22.
Depois veio o discurso dos BRICS e o elogio ao futebol do Brasil.
A vida aqui em Nova York é boa? Igual a qualquer outro lugar: acordar, trabalhar, trabalhar. E no outro dia, tudo sempre igual. A vida é apenas isso.
Recordei-me de Sísifo, o trágico herói mitológico que fora condenado pelos deuses a realizar um trabalho inútil e sem esperança por toda a eternidade: empurrar sem descanso uma enorme pedra até o alto de uma montanha de onde ela rolaria encosta abaixo para que o absurdo herói descesse em seguida até o sopé e empurrasse novamente o rochedo até o alto, indefinidamente, numa repetição monótona através dos tempos. O inferno de Sísifo é a trágica condenação de estar empregado em algo que a nada leva.
Não seríamos todos Sísifos ? Não estaríamos empenhados num grande esforço, uma luta e um sacrifício que poderiam não estar levando a nada como o sisifismo?
Talvez nosso trabalho seja uma condenação e a vida uma tragédia rotineira.
Para o homem existe a possibilidade de modificar a rotina tediosa e lançar ao longe o rochedo das misérias, da ignorância e inconsciência; deixar de repetir os dias, os anos e as vidas sem variação alguma para construir o próprio destino. Deixar de ser o que se é para ser uma pessoa melhor. A pedra de Sísifo tem hoje outros nomes.
A rotina não é boa, um sedentarismo mental. A mente, como o corpo, deve exercitar-se. Com a rotina vem a depressão, o vazio, a tristeza. Foge-se dela criando novas atividades. A vida deve ser renovação constante.
Fiquei a pensar que a Índia, com seus satélites, eterna colônia inglesa, não é melhor do que aqui, onde mal falamos o português, porque trabalhamos e nos divertimos um pouco, rimos de nossas misérias, desenganos, temos carnaval, futebol e telenovelas, maus governos, maus políticos; ainda nos sobra um pouco de esperança.
Táxi de madrugada é sempre bom, sem congestionamento, aeroportos vazios, e tempo para pensar e refletir.
Nada como voltar para casa.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Thursday, August 25, 2011

Uma Reflexão Sobre a Corrupção




A política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, passou a ser a arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente. E não é somente exercida nos governos em suas diversas esferas. Os políticos estão por aí, nas empresas, em associações diversas, sindicatos, nos conluios, nas panelinhas, sempre a atender inconfessáveis sonhos de poder e projeção e a conspirar contra os ingênuos e mentalmente indefesos.
A ambição não olha apenas para a riqueza; olha também para os insanos sonhos de poder subjugar outras pessoas.
Os seres políticos são, em geral, personalidades travestidas de simpatia e mansidão, cruéis inquisidores, críticos ácidos de todos os que não se subjuguem aos seus estreitos critérios.
O espécime político é movido por pensamentos farisaicos, medievais, cruéis. E eles devem ser combatidos, pois todos têm um pouco dessa mancha em suas mentes que endurece os corações.
Aceitar imposturas passivamente é colaborar com o mal e a submissão. E a pior escravidão é a mental.
O corrupto é um doente que não se julga como tal. Sua atitude é de total desprezo aos semelhantes em prol de sua insana ambição. A corrupção é uma praga social que contamina as empresas, as instituições e os governos. Os corruptos são os verdadeiros agentes da miséria, da desigualdade social e da criminalidade.
Os alcances da corrupção são vastos; poderíamos dizer que são quaisquer atitudes visando benefícios próprios em detrimento de outros. Ela é tão danosa como as agressões ao meio ambiente e está muito ligada a esses crimes. A destruição da Natureza e da juventude nas guerras que se trava contra o mundo e a humanidade é o produto perverso de mentes que se vêm corrompendo há séculos.
O corrupto usa de todos os expedientes – o amparo da Lei e o nome de Deus – para consumar seus insanos sonhos de poder e riqueza. Por detrás de suas atitudes existe um pensamento obsessivo de cobiça que anula a inteligência e a sensibilidade da pessoa que é escravizada pelas quimeras de um materialismo doentio travestido de democracia, liberalismo e misericórdia. Lutar contra a corrupção implica combater esse pensamento que está em muitas partes, impregnado na cultura, com possibilidades de crescer e fortalecer-se, transformando uma pessoa honesta noutra corrupta, pois é insaciável e perturbador, pretendendo colocar o ser humano a serviço exclusivo dos afãs de lucro, posse e poder.
A vida não pode se resumir numa carreira insana na direção de prazeres materiais que se esfumam no momento da posse.
Lutar contra a corrupção é tarefa de todo o cidadão em qualquer esfera, pois visa o bem comum. É restringir o campo de ação daquelas pessoas doentias através de uma constante vigilância sobre os corrompidos e os corruptores. É lutar contra os pensamentos ambiciosos que perambulam por aí fazendo-nos esquecer que a vida deve ter outros significados além da busca exclusiva de prazeres materiais. Trabalhar pela educação, auspiciando o estudo e a cultura, é uma forma de combater a cobiça, doença nefasta e base de toda a corrupção. Antes de procurar as raízes históricas dela em nosso país, remontando-nos ao Brasil - Colônia e aos primeiros dilapidadores de nossa terra e exploradores dos ancestrais que aqui estavam muito antes dos colonizadores que vieram trazer sua pretensa cultura em troca de riquezas que levavam para a Europa, falemos das raízes psicológicas dessa doença que corrompe as mentes e endurece os corações criando miséria e injustiça social.
A corrupção é o desrespeito total à figura humana, uma atitude travestida de misericórdia e bondade, tão bem representada por pessoas que fingem parecer o que não são nos palanques, nos púlpitos, nas telas das televisões. O corrupto é um especialista em iludir o semelhante, um camaleão social, sempre pronto e disposto a enganar as pessoas tristemente chamadas de boa-fé. Ele não mostra, não demonstra, não comprova. Seu discurso oco, sorriso cínico e olhar oblíquo têm como único objetivo enganar para se beneficiar. É um materialista incorrigível sempre a se esconder por detrás de uma máscara de bondade que se desfaz à menor e firme oposição.
A corrupção se confunde com hipocrisia, ambição, mentira e desumanidade. Geradora de guerras e desentendimentos de toda a ordem é o signo mais eloqüente da ignorância. Para combatê-la será necessário lutar contra o atraso e as superstições de toda índole.
A vitória sobre essa doença será o fruto de um processo lento, mas contínuo, que deverá começar no ambiente familiar, nos bancos escolares, para atingir o tecido social, educando as crianças para a vida, a boa convivência, preservando suas mentes de pensamentos ambiciosos e agressivos, transmitindo-lhes conceitos humanitários que lhes criem uma consciência de ser humano que veja a vida como um grande campo de experiência, amizade e aprendizado, ao invés do palco onde se desenrola o triste espetáculo das desumanidades e atrocidades dos seres que vivem a enganar a si e aos demais.
A corrupção tem suas raízes no egoísmo ancestral que trazemos e que nos serviu em épocas remotas nas quais deveríamos nos defender das intempéries, das feras e de nossa ignorância. Com o passar dos tempos, as feras que combatíamos surgiram em nossas mentes como pensamentos que agora querem nos devorar e a nossa espécie.
Será necessário aprender a nos preocupar inteligentemente conosco e com as demais pessoas, pois servir os outros é a maneira mais inteligente de servir a si mesmo. E mais do que dar o peixe, que não leva a nada, ou mesmo ensinar a pescar, é importante saber se a pessoa ajudada faz bom uso do bem recebido e se o transmite às outras pessoas para que seja credora de apoio futuro.
Assim é como muitas pessoas têm encontrado no voluntariado uma maneira de combater essa praga mental que é a corrupção cujas raízes não foram ainda devidamente identificadas e eliminadas.


Nagib Anderáos Neto
http://neto.nagib@gmail.com

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Tuesday, May 18, 2010

Voluntariado no Combate à Corrupção

Antes de procurarmos as raízes históricas da corrupção em nosso país, remontando-nos ao Brasil - Colônia e aos primeiros dilapidadores de nossa terra e exploradores dos ancestrais que aqui estavam muito antes dos colonizadores que vieram trazer sua pretensa cultura em troca de riquezas que levavam para a Europa, falemos das raízes psicológicas desta doença nefasta que corrompe as mentes e endurece os corações criando miséria e injustiça social.

O corrupto é um doente mental que vive em liberdade pelas cidades aparentando uma sanidade que o observador perspicaz não deixa de perceber que é falsa.

A corrupção é o desrespeito total à figura humana, uma atitude travestida de misericórdia e bondade, tão bem representada por pessoas que fingem parecer o que não são nos palanques, nos púlpitos, nas telas das televisões.

O corrupto é um especialista em iludir o semelhante, um camaleão social, sempre pronto e disposto a enganar as pessoas tristemente chamadas de boa-fé. Ele não mostra, não demonstra, não comprova. Seu discurso oco, sorriso cínico e olhar oblíquo têm como único objetivo enganar para se beneficiar. É um materialista incorrigível sempre a se esconder por detrás de uma máscara de bondade que se desfaz à menor e firme oposição inteligente.

A corrupção se confunde com hipocrisia, ambição, mentira e desumanidade. Geradora de guerras e desentendimentos de toda a ordem é o signo mais eloqüente da ignorância. Para combatê-la será necessário combater o atraso e as superstições de toda índole.

É comum associá-la à política, pois ali ela é mais visível, mas não é apenas privilégio daquele triste ambiente; está nas empresas, em associações diversas, porque suas raízes são mentais, pensamentos enraizados nas mentes humanas há séculos que levam os seres humanos a iludir a outros para se beneficiar.

A vitória sobre esta doença será o fruto de um processo lento, mas contínuo, que deverá começar no ambiente familiar, nos bancos escolares, para atingir, depois, todo o tecido social, educando as crianças para a vida, para a boa convivência, preservando suas mentes de pensamentos ambiciosos e agressivos, transmitindo-lhes conceitos humanitários que lhes criem uma consciência de ser humano que veja a vida como um grande campo de experiência, amizade e aprendizado, ao invés do palco onde se desenrola o triste espetáculo das desumanidades e das atrocidades dos seres que vivem a enganar a si próprios e aos demais.

A corrupção tem suas raízes no egoísmo ancestral que trazemos dentro de nós e que nos serviu em épocas remotas nas quais deveríamos nos defender das intempéries naturais, das feras e de nossa própria ignorância. Com o passar dos tempos, as feras que combatíamos surgiram em nossas mentes como pensamentos que agora querem nos devorar e a nossa espécie, como o egoísmo.

Será necessário aprendermos a nos preocupar inteligentemente conosco e com as demais pessoas, pois servir os outros é a maneira mais inteligente de servir a si mesmo. E mais do que dar o peixe, que bem sabido é que não leva a nada, ou mesmo ensinar a pescar, é importante saber se a pessoa ajudada faz bom uso do bem recebido e se o transmite às outras pessoas para que seja credora de apoio futuro.

Assim é como muitas pessoas têm encontrado no voluntariado uma maneira de combater essa praga mental que é a corrupção cujas raízes não foram ainda devidamente identificadas e eliminadas.


Nagib Anderáos Neto
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www.twitter.com/anderaosnagib

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