Monday, July 20, 2015

Gratidão: O Bom Sentir


 

Gratidão: O Bom Sentir


 

 

O ressentimento, equivalente ao rancor, é, no dizer de Shakespeare, um copo de veneno que você toma com esperança de fazer mal ao seu inimigo.

 

No livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, escreveu González Pecotche: o prisioneiro do rancor raramente memoriza os fatos e coisas que o beneficiaram dando-lhe satisfação e enchendo-o de alegria, mas recorda, em troca, com ânimo sombrio, de quantos lhe foram adversos.

 

A reflexão lembra um dizer antigo, ao afirmar serem os inimigos os provadores da têmpera de nosso espírito; se não os quer ter, melhor não haver nascido.

 

O inimigo, em geral, é um bom companheiro, que nos fará pensar na fórmula de nos libertarmos da tortura mental a qual nos submetemos ao recordar o ingrato, imobilizador dos sentimentos e endurecedor do coração, pois a ingratidão é um tóxico silencioso, eliminador das possibilidades de sermos felizes e livrarmo-nos das recordações sombrias, que lesam o coração; é uma das doenças das quais os seres humanos de hoje padecem. Seus frutos são a depressão e o vazio.

 

 Esquece-se, com muita facilidade, as coisas boas que vão acontecendo: pequenos sucessos, singelas alegrias, emoções que colorem os dias pálidos da existência. A simples recordação desses momentos poderia transformar um momento de tristeza num de alegria.

 

Contra o rancor há que opor o bom sentir, a gratidão por tudo que nos proporcionou alguma alegria; a inteligência na convivência, e a esperança, o mágico sentimento a nos lançar para um futuro melhorado e feliz.

 

A gratidão consciente é uma vivência interior na qual, ao recordar quem nos fez um bem, rendemos-lhe uma homenagem silenciosa e experimentamos uma proximidade muito grande em relação ao nosso benfeitor, mesmo que ele não esteja mais vivendo entre nós. É um sentimento de imponderável valor, pois credencia o indivíduo para novas experiências felizes no futuro.

 

A gratidão, o sentir agradecido pelo que se viveu, a revivescência sensível de um passado que não deve morrer nunca, é um sentimento mágico, que cada ser humano tem o poder e o dever de cultivar em seu coração.

 

                 Sentir é experimentar dentro de si a realidade de uma outra existência, seja ela um ser, um objeto ou um conhecimento, disse certa vez um sábio homem. Assim, um belo lugar fixa-se na recordação; uma pessoa querida, uma lição instrutiva, o animalzinho da infância, um livro, o parente desaparecido.

 

Ao manter no presente aquilo que vivemos, experimentamos uma sensação de existir consciente que as palavras não têm possibilidade de traduzir.

 

 

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

 

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Friday, July 15, 2011

A Luta Contra o Pessimismo

No jornalismo, o pessimismo é considerado bom, pois notícias ruins vendem mais, e a maioria dos leitores compartilha pensamentos negativos e sombrios com os profissionais da mídia; mas enaltecê-los não é bom. Uma coisa é ser realista, outra, pessimista. Devemos sempre contar com o imponderável nos projetos, algo não previsto, um evento fortuito. Desenhar tais posições não implica pessimismo. Um pessimista jamais realizará algo grande. É inimaginável uma força positiva num pensamento negativo como a indiferença, a falta de vontade e estímulos, o desalento que elimina a esperança por sucesso e realização. Estar preparado para o pior não implica pessimismo, senão inteligência, realismo, bom senso.

O otimismo piegas é tão prejudicial quanto o pessimismo que subtrai energias, corrói esperanças e transforma a vida num mar de lamentações. Reclamar de tudo, achar que nada vai dar certo, imaginar que o futuro certamente será sombrio é alhear-se da possibilidade de conduzir a vida para um futuro melhorado.

A esperança é um sentimento superior, uma possibilidade que se desenha à mente de poder transformar a vida, melhorá-la, uma ativa espera por um futuro melhor, sinônima de paciência inteligente, não a passiva como a de Jó.

A morte em vida tem a ver com a falta de estímulos, alegria e esperança. Abandonar a inércia, a passividade e a desesperança significa ressurgir das cinzas como o pássaro imortal, uma verdadeira ressurreição que a lenda de Lázaro não soube explicar.

O amor transmite aos corações a confiança e a esperança, pois como bem disse Platão no Banquete, o que ama possui em si uma divindade, é possuído por um deus. Pensamentos sombrios, como os mencionados, sufocam a sensibilidade e podem fazer fracassar sentimentos como a amizade.

É inquestionável que o pessimismo ronda a mente de todos. Talvez por sermos inveterados colecionadores de fatos adversos e nos esqueçamos de tudo de bom que vai acontecendo no curso da vida. Temos uma tendência a ver as coisas negras. E aquele esquecimento pode sufocar um outro sentimento: a gratidão que nos faz experimentar a feliz sensação por um bem que recebemos de uma outra pessoa que se mantém viva em nossos corações.

Seria o caso de nos perguntar se nada de positivo aconteceu nos anos passados que pudesse alentar os vindouros e fosse o necessário estímulo para enfrentar as lutas futuras. E se fixarmos nossos olhos sobre a vida, para a trajetória percorrida como pais, filhos, irmãos, profissionais, veremos que muita coisa boa aconteceu. Por que então este quadro negro pintado pelo pessimismo?

Ele destrói os melhores ideais, subtrai energias e estreita a vida. Ao reagir contra essa corrente negra que ensombrece as mentes, reagimos contra a insensibilidade, a ignorância e tudo o que se opõe à frutificação de idéias felizes.

O pessimismo é um pensamento que deve ser eliminado dentro das mentes por encarcerar a inteligência tornando-nos tristes e sem esperanças. Combatê-lo significa trabalhar por um futuro melhor, dias mais alegres e cheios de alento.

Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br

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Monday, October 30, 2006

Uma Cátedra Humanitária

No próximo dia quatro de Abril, estudantes de Logosofia de todo o mundo estarão se reunindo nas diversas sedes da Fundação Logosófica em prol da Superação Humana para recordar e homenagear o pensador e humanista Carlos Bernardo González Pecotche cujo desaparecimento físico marcou uma nova etapa no desenvolvimento da obra humanista e revolucionária por ele iniciada em mil novecentos e trinta na cidade de Córdoba, Argentina.

A presença marcante de seu espírito não haveria de esmaecer-se com o seu desaparecimento físico, pois os seus pensamentos estavam consubstanciados no grande movimento por ele iniciado do qual fazem parte todos os estudantes e pesquisadores, as escolas criadas, a vasta bibliografia, as centenas de conferências pronunciadas e, principalmente, os eloqüentes resultados obtidos através da aplicação do novo e revolucionário método pedagógico na vida dos estudantes da nova cátedra que afirmava que o ser humano pode ser dono absoluto de sua vida e de seu destino ao aprender a pensar por própria conta libertando-se das travas seculares que haviam imobilizado sua inteligência e sua vontade transformando-o num ser violento, irascível, perturbado e incapaz de conviver em paz com os seus semelhantes.

Depois de séculos de orfandade espiritual marcados por guerras inomináveis e sofrimentos sem par, o ser humano deveria começar a construir um novo caminho reconhecendo suas limitações e seus defeitos, conhecendo-se melhor e transformando a sua própria pessoa num ser verdadeiramente humano, deixando de comportar-se como um animal para compor um quarto reino, o hominal, no qual figurariam os seres verdadeiramente inteligentes e não os pseudo-inteligentes que fazem descobertas para infernizar a vida da humanidade. O neologismo mencionado teve de ser criado por González Pecotche para qualificar o novo homem que haveria de surgir das cinzas do velho homem desumano e triste.

“A vida do ser humano tem dois grandes objetivos: evoluir na direção da perfeição e tornar-se um verdadeiro servidor da humanidade”. Com essas palavras o pensador sintetizou o conteúdo da direção apontada por uma grande vontade que habita em todos os corações humanos e, tal qual uma lei, impulsiona-o para ascender às alturas inefáveis do conhecimento e da realização humanas.

Dentre as grandes lições deixadas pelo grande humanista destaca-se a da gratidão ao bem recebido que nos permite mantê-lo em nossas mentes e em nossos corações como um talismã que haverá de substanciar os nossos dias futuros e iluminar o caminho dos que virão trilhá-lo.

Assim, através da gratidão e da recordação, o espírito daqueles que beneficiaram a humanidade em sua breve passagem pela terra haverá de sobreviver e prosseguir em seu silencioso e humanitário trabalho, invisível aos olhos de muitos, mas sólido e consistente na perspectiva da História.


Nagib Anderáos Neto
www.logosophy.net

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