Tuesday, November 06, 2012

Para Melhorar A Memória






Cientistas dizem que atividades intelectuais ajudam a preservar a memória; que pensar faz bem. Estudos sugerem que as perdas da memória com a idade são menores em quem exercita bastante o cérebro; a massa de neurônios seria maior.



O mal de Alzheimer é uma doença irreversível; há uma correlação entre ela e a inatividade. Mas o esquecimento não é privilégio dos que têm idade avançada. Há jovens esquecidos. As causas não são fisiológicas, senão psicológicas, mentais.



Regras mnemônicas ajudam a recordar o nome de uma pessoa, uma rua. Não sobrecarregar a memória com informações inúteis é bom. A mnemônica é a arte de fortalecer a memória através da associação daquilo que deve ser memorizado com dados já conhecidos. A palavra vem de Mnemosine, deusa grega da memória, irmã de Cronos e Oceanos, mãe das musas, a que saberia tudo o que foi, é, e o que será. Possuído pelas musas, o poeta inspira-se diretamente no conhecimento de Mnemosine.



As instrutivas metáforas gregas nos ilustram sobre a importância e beleza da memória quando devidamente cultivada e desenvolvida.



Uma forma e combater o esquecimento é interessar-se pelo que se faz, pois quando ele existe, as experiências fixam-se fortemente nos arquivos mentais, sendo dificilmente esquecidas. E há interesse quando há atenção. Ao agir rotineira, mecânica e desatentamente, os fatos não se fixam, evaporam-se, são esquecidos.



A palavra interesse tem sua origem no latim e significa estar entre. Podemos dizer que é uma postura mental ativa diante de algo que chama a atenção. Leva-nos a aprofundar no objeto que estamos vendo com os olhos mentais: a observação e o entendimento. Quando existe o interesse, os fatos, as sensações e as experiências fixam-se fortemente nos arquivos da vida, os da mente e da sensibilidade, sendo jamais esquecidos. Podemos nos interessar por uma pessoa, um animal, um objeto, uma paisagem, um conhecimento. Deveríamos interessar-nos mais por nós mesmos, pelo que somos e poderemos ser. Ele implica sempre uma responsabilidade, profundidade, e nunca superficialidade, como no caso da curiosidade, que pôde ter sua utilidade nas primeiras etapas da vida do homem na Terra, como o tem para as crianças que reproduzem aquela fase da evolução da espécie, mas que quando adultas deverão substituir a curiosidade pelo interesse, a superficialidade pela profundidade.



Existe um tempo para a curiosidade e um para o interesse, como para a infância e a maturidade, embora devamos procurar manter em nossas mentes e corações a criança que fomos um dia como um tributo de gratidão àquela fase iluminada e feliz.



“Em cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke escreveu:” Mesmo que estivesse em uma prisão, cujos muros não permitissem que nenhum ruído do mundo chegasse a seus ouvidos, o senhor não teria sempre a sua infância, essa riqueza preciosa, régia, esse tesouro de recordações? Volte a ela a atenção. Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação à meia-luz, da qual passa longe o burburinho dos outros”.



Pensar é diferente de recordar, é criar, resolver problemas; não é fácil e nem difícil, exige constância, dedicação. Ninguém tem dificuldade de recordar o que pensou, criou, como um filho, que está sempre presente na recordação.



A revivescência de fatos felizes é sempre conveniente, traz a felicidade de volta, colore a vida, e pode ser um fator de inestimável ajuda para quem esteja vivendo uma dificuldade, uma tristeza. Não recordar aqueles momentos é sinal de ingratidão, sinônimo de esquecimento, egoísmo e isolamento.



Pensar faz bem. Recordar também; para a mente que reside no cérebro, para o corpo e o espírito que se renova com essa atividade criativa, pois pensar é criar, respirar.



O exercício diário da função de pensar, onde entrarão em jogo o interesse, a atenção e o entendimento, fortalece a inteligência nas leituras e na criação pessoal que qualquer um pode realizar. Será também necessário aprender a ler a realidade pessoal e interior, e modificá-la, caso seja necessário. A ninguém está vedado desenvolver a sua capacidade mental e liberar-se da rotina monótona dos dias que se sucedem sem nenhuma renovação; basta querer, pensar e realizar.



Não existe maior triunfo para o homem que pensar com liberdade e criar um futuro feliz através da inspiração.





Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

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Thursday, April 26, 2012

O Jovem Poeta Rilke

Uma coisa é escrever, outra publicar. Em cartas a Um Jovem Poeta, Rilke deixa isto muito bem explicado. Orienta o companheiro de correspondência a que se consulte sobre a necessidade de escrever. Você morreria se fosse impossibilitado? É uma necessidade vital? Entre esse e outros conselhos, instrui o artista em formação a viver mais dentro de si e menos envolvido nas vacuidades do mundo exterior; que não pense no sucesso para os outros, mas na indizível felicidade de encontrar alegria no convívio consigo mesmo. “Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, este tesouro de recordações?”, escreveu na primeira carta do livro em 17 de Fevereiro de 1903 enviada de Paris. As dez cartas que Rainer Maria Rilke (1875-1926) escreveu a Franz Xavier Kapus entre 1903 e 1928 foram editadas na Alemanha em 1929. Nascido em Praga, ele foi um dos principais poetas da moderna literatura alemã. Rilke não gostava da religião organizada e tinha profunda desconfiança da profissão médica; talvez por isso tenha morrido prematuramente de leucemia não diagnosticada. Seus pais eram de classe média e falavam alemão. Aos 20 anos já havia publicado dois livros. Sua existência era sua poesia. A psicanalista Lou Andreas – Salomé, que fora treinada por Freud, foi sua namorada e mentora. Ela o aconselhou a trocar o nome René por Rainer. Consta que teria sido boa professora. Ele conviveu com Rodin, Cezane e Picasso. Viajou por toda da Europa. Casou-se com a escultora alemã Clara Westhoff em 1903 e teve uma filha, Ruth, mas logo abandonou a família atraído pelas luzes de Paris onde publicou muitos livros. Viajou muito e participou da Primeira Guerra. Afastou-se da Alemanha por considerá-la causadora daquele grande conflito bélico. Escreveu milhares de cartas para centenas de pessoa, verdadeiros ensaios para seus poemas no aparente silêncio do período da guerra. O jovem e atormentado poeta quis deixar consignado o testemunho do que viveu e sentiu. No meio de seus escritos encontram-se reflexões sentidas e lúcidas sobre diversos aspectos da vida do ser humano. Para ele, a morte seria “a outra metade da vida”. “Posse é pobreza e medo: a posse despreocupada é ter possuído algo e dele ter aberto mão!” “Em algum lugar, o mais denso matagal pode produzir folhas, uma flor, uma fruta. E, em algum lugar, na providência mais extrema de Deus, haverá também um inseto que colherá riqueza dessa flor, ou uma fome a qual essa fruta será bem-vinda.” “Muitas vezes na vida parece que nada importa senão a mais longa paciência!” “Por fim – nós o sabemos -, a pequena sabedoria da vida consiste em esperar (mas esperar no estado de espírito certo, puro), e a grande graça que de tempos em tempos nos é concedida consiste em sobreviver.” Nagib Anderáos Neto

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